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São Paulo - Pouco depois de terminar a licitação dos últimos terrenos do Parque Tecnológico do Rio, em junho do ano passado, Maurício Guedes, diretor executivo da instituição, experimentou uma frustração. Ele não se conformava em ter de dizer, às empresas que continuavam batendo à sua porta, que não havia mais vagas.
Foi assim até que Guedes — também o idealizador do parque, instalado na Ilha do Fundão, na zona norte carioca, junto ao campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro — prestou mais atenção na área militar que avistava da janela de seu escritório. Com 240 000 metros quadrados, o terreno seria perfeito para uma ampliação de 70% no tamanho do parque.
Guedes então passou a ligar para secretários dos governos estadual e municipal e insistir que seria essencial liberar a área. As negociações levaram quase um ano e o argumento que Guedes usou é o mesmo que continua a repetir até hoje em dezenas de apresentações para empresas mundo afora: as pesquisas que serão desenvolvidas ali poderão fazer do Brasil uma potência tecnológica.
Mas o Exército só foi convencido quando a prefeitura carioca ofereceu 13 milhões de reais por parte do terreno — agora destinado a abrigar o primeiro centro de inovação da multinacional americana GE no país. Outros trechos deverão ser adquiridos pelo governo fluminense e serão cedidos para receber a fabricante de cosméticos francesa L’Oréal e pelo menos mais oito empresas.
Até agora, 11 grandes companhias têm centros de pesquisa prontos no parque tecnológico carioca. O investimento privado no local soma 1 bilhão de reais. Com mais ocupantes, o objetivo de Guedes é, até 2014, concentrar no parque 5 000 pesquisadores, dos quais 3 700 mestres e doutores — nenhum outro lugar do Brasil vai ter tantos cérebros trabalhando tão próximos entre si. “O Fundão reúne hoje as melhores condições para produzir as tecnologias que farão do Brasil uma referência mundial de inovação”, diz ele.
Inspiração em Stanford
O Parque Tecnológico do Rio já é considerado o maior do país, comparável apenas ao arranjo formado em torno da Embraer e do Centro de Tecnologia Aeroespacial, em São José dos Campos, no interior paulista. A maioria dos 90 parques tecnológicos que existem no Brasil ainda é pouco mais do que incubadoras e não conta com centros de pesquisa privados.
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