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São Paulo - Antes de finalmente receber o prêmio Nobel de Economia, os candidatos agraciados com a honraria costumam aparecer na lista dos possíveis vencedores por vários anos. Há mais de uma década, esse tem sido o caso de Paul Romer, que trabalhou 15 anos na Universidade Stanford antes de se transferir para a Universidade de Nova York em 2011.
Sua maior contribuição foi na área do crescimento econômico. Com modelos matemáticos, Romer conseguiu comprovar o importante papel dos avanços da tecnologia na expansão sustentada do PIB. Antes dele, vários economistas reconheciam que as inovações tecnológicas tinham uma participação no crescimento, mas não conseguiam incorporar esse dado à teoria econômica.
Foi Romer, um dos palestrantes do Fórum EXAME, em 14 de setembro, em São Paulo, quem acrescentou a variável “ideias” à receita composta de capital e trabalho. Da Suécia, onde foi participar de um simpósio da Fundação Nobel sobre crescimento, Romer concedeu a seguinte entrevista a EXAME.
EXAME - Quais são os fatores mais importantes para o crescimento econômico?
Paul Romer - Essa é uma área em que é difícil tirar muitas conclusões que valem para todos os tipos de países. Ainda assim, a análise dos dados nos dá algumas lições valiosas. Quando olhamos para trás e comparamos o desempenho econômico de 50 países e um grande número de variáveis, o que salta aos olhos é o poder da educação.
Países com jovens que tiram boas notas nos testes internacionais, como os da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, têm bom desempenho econômico. É quase uma garantia. Essa correlação entre bons resultados nos testes internacionais e crescimento é, na verdade, uma ótima notícia para as pessoas que estão em cargos importantes dos governos.
EXAME - Por quê?
Paul Romer - Porque dão um objetivo bastante claro e executável. A meta é organizar as escolas para que os alunos saibam o que será exigido deles. Montar um plano desses e colocá-lo em prática é um bom teste para o país como um todo. De certa forma, isso funciona como um termômetro da capacidade de um governo mobilizar a população, montar um cronograma, se organizar e atingir objetivos.
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