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São Paulo - Hoje, 75% dos jovens americanos entre 17 e 24 anos não conseguem se candidatar a uma vaga nas Forças Armadas. Parte deles não completou o ensino médio, um dos pré-requisitos, uma parcela dos jovens não tem as condições físicas exigidas de um soldado e outros tantos possuem antecedentes criminais, o que os desclassifica no processo de seleção.
É com informações como essas que o jornalista americano Thomas Friedman, colunista do jornal The New York Times, e Michael Mandelbaum, professor de política externa americana na Universidade Johns Hopkins, enfatizam a gravidade da atual situação americana no livro Éramos Nós: A Crise Americana e Como Resolvê-la, lançado no Brasil em junho pela Companhia das Letras.
Para Friedman e Mandelbaum, o perigo maior não é a juventude deixar o país vulnerável do ponto de vista militar — os gastos dos Estados Unidos com Defesa são mais que o dobro dos de China, Rússia e França somados. A ameaça é econômica e, nesse quesito, as armas são educação, educação e educação — e é aí que os americanos, incluindo os dois candidatos que vão se enfrentar na eleição presidencial de novembro, estão falhando.
Desde a eclosão da crise financeira e econômica em 2008, o mercado livreiro americano viu a proliferação de obras sobre a decadência dos Estados Unidos. Um dos diferenciais do trabalho de Friedman e Mandelbaum é o fato de ele apontar uma saída. Éramos Nós é recheado de exemplos positivos.
Os autores são claros ao dizer que tudo o que os Estados Unidos precisam é se inspirar no seu próprio passado. “É necessário resgatar as características que nos fizeram chegar ao posto de potência”, diz Friedman, para quem essa missão ficou mais difícil após a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento de um inimigo capaz de unir os americanos. Para complicar, os políticos não têm ajudado. “Vivemos o momento mais polarizado de nossa história.”
EXAME - Por que o senhor sustenta que os Estados Unidos sentem a falta de um inimigo?
Não é preciso ir muito longe. Durante a Guerra Fria, tínhamos um inimigo visível, muito mais presente na vida de todos nós. Era fácil identificá-lo. Estava em paradas militares realizadas em Moscou e transmitidas pela televisão. A ameaça era palpável, como durante a crise dos mísseis entre os Estados Unidos e Cuba no começo da década de 60.
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