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Coates fala com a propriedade de quem conhece seu objeto de estudo em detalhes. Antes de se dedicar à carreira acadêmica, trabalhou em algumas das instituições mais renomadas de Wall Street: Goldman Sachs, Merrill Lynch e Deutsche Bank. Em conversa com EXAME, Coates disse lembrar bem das incoerências de seus colegas nos períodos de alta. “Eles se sentiam invencíveis, onipotentes.
Acabavam perdendo a capacidade de analisar criticamente seus investimentos.” A gota d’água para Coates foi a bolha das empresas de tecnologia no final dos anos 90, uma fase de grande volatilidade. Diante da loucura que imperava nas mesas de operação, decidiu largar o mercado financeiro e passou a estudar o tema sob o prisma da biologia.
O reino da testosterona
Em suas pesquisas, Coates analisou as taxas hormonais de profissionais do mercado financeiro que trabalhavam em Londres e confirmou uma impressão que já tinha desde os tempos de Nova York — nas mesas de operação há uma clara predominância de gênero. Dos 250 operadores analisados, apenas três eram mulheres. “Nesse reino da testosterona”, afirma Coates, “as taxas hormonais flutuavam exatamente no mesmo ritmo dos altos e baixos do mercado.”
Há dois meses, o pesquisador encerrou um ciclo importante de suas pesquisas ao lançar o livro The Hour Between Dog and Wolf: Risk Taking, Gut Feelings and the Biology of Boom and Bust, ou “A hora entre o cão e o lobo: tomada de risco, instinto e a biologia dos altos e baixos”, numa tradução livre.
O título remete a uma expressão francesa da Idade Média utilizada para descrever a mudança de comportamento de soldados no campo de batalha minutos antes do início dos embates. Em meio a urros, com os soldados dominados pela euforia, aqueles momentos eram marcados pela transformação de “cachorros em lobos”.
Para Coates, se as gestoras de recursos quiserem reduzir as decisões de investimentos irresponsáveis, terão de controlar o número de “lobos” e dar mais espaço a mulheres e homens mais velhos e experientes.
O trabalho de Coates está inserido numa ampla área do debate econômico que coloca em dúvida a ideia da racionalidade das decisões. Na primeira metade do século 20, o economista britânico John Maynard Keynes deu ênfase ao papel do “espírito animal”.
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