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São Paulo - Há seis anos, o americano Floyd Landis tomou uma decisão que fez sua carreira de ciclista ir do céu ao inferno. Ele teve cassado seu título de campeão da Volta da França, a mais charmosa e importante competição de ciclismo do mundo, após ser flagrado no exame antidoping.
Foi detectado um nível de testosterona muito acima do normal em seu corpo justamente na 17a e última etapa da prova. Como perdera tempo no estágio anterior, Landis decidiu recorrer à droga e acabou protagonizando uma das chegadas mais emocionantes da história da prova. Vista a posteriori, a trapaça foi um dos episódios mais vergonhosos nos mais de 100 anos da Volta da França.
No mundo dos esportes, a testosterona, quando ingerida artificialmente para melhorar a performance, é um exemplo da falta de escrúpulos. Na vida real, produzida de forma natural pelo corpo, ajuda a explicar vários dos comportamentos humanos. Mais presente nos homens, a testosterona está associada à autoconfiança e à agressividade.
John Coates, pesquisador do departamento de neurociência da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, centrou seu trabalho na tentativa de ligar dois mundos aparentemente distantes: a biologia e as finanças. Mais especificamente, comparou os níveis de hormônios e o desempenho de operadores de bancos, a quem ele chama de “atletas”.
Em suas pesquisas, Coates conseguiu provar a correlação entre elevadas taxas hormonais e os altos e baixos da bolsa. Antes de tomar a decisão sobre investir milhões em determinada aplicação, a respiração de um gestor costuma ficar cada vez mais curta, o batimento cardíaco acelera, aumenta a tensão muscular e, às vezes, até o estômago reage.
Quando o resultado imediato da aplicação é positivo, o corpo produz, num estado de euforia, uma quantidade maior de testosterona. É nessa hora que os operadores ficam mais corajosos e competitivos, o que faz os riscos parecer menores. Nos casos em que as decisões de investimento vão mal, o corpo eleva a produção de outro hormônio, o cortisol.
Inicialmente, ele aumenta o grau de excitação e atenção, mas, se os níveis permanecem elevados por muito tempo, os efeitos passam a ser contrários aos da testosterona. O gestor é dominado por uma sensação de incerteza desmedida, o que ajuda a explicar os momentos do mercado conhecidos como de aversão ao risco — quando não há explicação racional para as quedas nos valores dos papéis.
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