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São Paulo - Um rapaz escolhe lâminas de barbear no corredor de um supermercado quando, repentinamente, o lutador Vitor Belfort rompe a gôndola. Num tom, digamos, nada amigável, ele pergunta: “Vai amarelar?” Outros lutadores surgem dos lugares mais inusitados, como de dentro de um carrinho de compras, para fazer a mesma pergunta. Intimidado, o consumidor decide levar o produto da Gillette, que é azul, em vez de ficar com o do concorrente, da cor amarela.
O vídeo divulgado exclusivamente pela internet em maio foi assistido por mais de 20 milhões de pessoas naquele mês, bem acima dos 8 milhões de acessos projetados pela Procter&Gamble, dona da marca.
Além de investir na divulgação por links patrocinados, a empresa contou com tuitadas dos garotos-propaganda da marca, como os jogadores de futebol Kaká e Paulo Henrique Ganso, e sobretudo a divulgação espontânea de milhões de pessoas pela internet. “Investimos apenas um quarto do valor que gastaríamos para ter o mesmo resultado na TV”, diz José Cirilo, diretor de marketing da marca Gillette.
O filme da Procter&Gamble faz parte de uma estratégia cada vez mais frequente para as empresas em todo o mundo. O estoque de vídeos publicitários feitos para a internet mais que dobrou nos últimos 12 meses nos Estados Unidos. Hoje, são 10 milhões de filmes, de acordo com a americana Comcast.
Segundo a consultoria americana eMarketer, é a forma de publicidade que mais cresce na internet — com previsão de que as empresas aumentem 55% seu orçamento para essa área em 2012 nos Estados Unidos. “As empresas estão cada vez mais empenhadas em aproveitar o crescente interesse das pessoas por vídeos na internet”, diz Tatiana Santa Paula, sócia da Media Interactive, agência especializada em marketing digital.
O custo reduzido, sobretudo em comparação ao preço pago para inserções na TV, é apenas uma das vantagens. Ao migrar para a internet, as empresas têm como audiência potencial toda a população online — ou seja, um total de 2 bilhões de pessoas no mundo (80 milhões delas no Brasil).
Se cair no gosto do público, um vídeo pode ser visto e revisto inúmeras vezes em poucas horas, num efeito viral. Dependendo do grau de sucesso, um sonho impossível em outras mídias — prender a atenção do consumidor por minutos a fio — pode se tornar realidade.
Foi o que conseguiu a subsidiária canadense do McDonald’s, com um vídeo de 3 minutos e meio, que mostra por que os lanches das lojas nunca se parecem com os dos anúncios (numa espécie de confissão pública, o filme mostra todos os detalhes da maquiagem de um sanduíche).
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