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São Paulo - A presença de universidades americanas no topo do ranking mundial das melhores instituições de ensino superior faz parte do orgulho nacional — entre as dez melhores, seis são dos Estados Unidos. Um ex-aluno se identifica com a universidade em que se formou tanto quanto, no Brasil, um torcedor defende seu time.
Lá, ter se graduado em Harvard, Yale ou Berkeley vale como cartão de apresentação. A ligação, porém, vai muito além da torcida e do orgulho pelo diploma. Muitos ex-alunos põem a mão no bolso pelas escolas. Isso explica em parte por que dois terços das 4 000 instituições superiores americanas possuem endowments — fundos de investimento que gerenciam doações e destinam retornos financeiros para as escolas.
A ajuda proporcionada é valiosa. Só em 2011, 19 bilhões de dólares repassados pelos endowments foram usados para aprimorar a pesquisa, a capacidade técnica e a gestão nas universidades americanas. Esse dinheiro extra de ex-alunos é mais do que todo o orçamento da União nas universidades federais no Brasil.
A filantropia na educação é comum também no Reino Unido. Recentemente, o galês Michael Moritz, presidente do fundo de investimento Sequoia, acionista do Google, anunciou a doação de 115 milhões de dólares à Universidade de Oxford.
Enquanto os endowments americanos existem há séculos — o primeiro, de Harvard, foi criado em 1643, sete anos após a fundação da universidade —, só agora o Brasil vê surgir iniciativas do gênero. Uma das principais escolas de engenharia do país, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é palco de uma curiosa competição.
A Poli, como é conhecida, em menos de um ano viu surgir dois fundos, que agora estão numa corrida para levantar recursos. O primeiro foi o Endowment da Escola Politécnica, criado em maio de 2011. Em março deste ano foi lançado o Amigos da Poli.
Para ambos, o primeiro desafio foi criar um modelo legal para o recebimento das doações — a lei brasileira não prevê nada semelhante ao endowment dos Estados Unidos. Lá, esses fundos têm regras especiais: são de caráter perpétuo — ou seja, os doadores não podem resgatar o dinheiro, extinguir o fundo ou mudar os beneficiários.
Como isso não existe aqui, a saída encontrada foi a união de duas estruturas: uma associação e um fundo de investimento. O estatuto da associação dá as diretrizes de como o fundo deve funcionar, garantindo a perpetuidade e a destinação dos rendimentos à faculdade. Outra diferença é que a lei americana incentiva as doações — elas são isentas de imposto. Aqui, o dinheiro doado é taxado, em média, em 4% pelos estados.
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