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Construtoras | 08/08/2012 08:00

Plaenge cresce 589% sem pensar em bolsa

A construtora paranaense Plaenge se recusou a aderir às últimas modas do setor — como abrir o capital e vender para a baixa renda. Virou uma das maiores do país

Renata Agostini, de

Kiko Ferrite/EXAME.com

Fernando e Alexandre Fabian, donos da Plaenge

Fernando e Alexandre Fabian, donos da Plaenge: os herdeiros são conservadores nos custos e na estratégia de venda

São Paulo - Há coisa de seis anos, ficou estabelecido que a vida das construtoras brasileiras havia mudado. Era hora de pensar grande. O modelo de negócios que reinava até então estava com os dias contados. Eram tempos em que cada um se concentrava em fazer aquilo que sabia, em crescer com os próprios recursos e aos poucos.

Na nova era da construção civil, essa lógica foi virada ao avesso. Vinte incorporadoras abriram o capital na bolsa para financiar seu crescimento. Mesmo empresas especializadas em construir para endinheirados partiram para a conquista do promissor consumidor de baixa renda.

Passados os anos de oba-oba, essas modas todas acabaram mal. Como todo mundo teve a mesma ideia ao mesmo tempo, os preços de terrenos e material de construção dispararam. Faltou mão de obra e, em alguns locais, sobraram imóveis. Hoje, é difícil encontrar uma construtora que esteja crescendo. Uma rara exceção é a paranaense Plaenge. O motivo? Seus donos ouviram a receita da moda dos últimos anos — e fizeram tudo ao contrário.

Sem sócios, sem emitir ações e vendendo quase nada para a classe C, a Plaenge cresceu 589% nos últimos cinco anos e, com faturamento de 745 milhões de reais, tornou-se a maior incorporadora de capital fechado do país. Seus donos ficaram de fora da bolsa porque julgavam seu negócio incompatível com as exigências do mercado — argumento que, hoje, começa a ganhar força mesmo entre as empresas de capital aberto.

“O ciclo da construção é longo. Um empreendimento leva até quatro anos para dar resultado. Seríamos cobrados pelo desempenho a cada trimestre, e desse jeito não dá”, diz Alexandre Fabian, filho do fundador e um dos diretores da companhia — o outro é o irmão Fernando. A alternativa foi usar recursos próprios.

Em 2006, a empresa tinha em caixa um valor superior a seu faturamento anual — a ideia era não depender de empréstimos bancários para construir (a Plaenge só recorre aos bancos quando consegue juros mais baixos que a média).

Como estava com o caixa abarrotado, usou cerca de 100 milhões de reais para comprar terrenos — justamente quando as rivais começavam a levantar dinheiro na bolsa. Multiplicou seu banco de terrenos por 12 em menos de um ano. E, como chegou antes da concorrência, pagou menos pelos terrenos.

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