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Um estudo recentemente divulgado pela Associação Americana de Venture Capital concluiu, após ouvir 400 fundos, que o Brasil é o segundo país que mais inspira confiança para investimentos, atrás apenas dos Estados Unidos.
“O país vive hoje o cenário que a China apresentava em 2002, quando mais pessoas passaram a ter acesso à renda e estudantes voltavam de cursos de MBA na Europa e nos Estados Unidos para empreender”, diz Jon Karlen, sócio do fundo Flybridge Capital Partners, que investiu em quatro empresas no Brasil, entre elas o site de comércio de calçados Shoes4You.
Inspiração
A Netshoes é um dos principais exemplos das empresas que estão atraindo a atenção dos fundos — sites com alto potencial de crescimento. Em 2007, a varejista de calçados nascida em 2000 abandonou suas lojas físicas para se dedicar ao comércio online. Estabeleceu padrões inspirados na Amazon, investiu em logística e em sistemas de recomendação de produtos com base no cruzamento das preferências dos usuários.
No fim de 2010, recebeu aporte de valor não revelado do fundo americano Tiger Global e cresceu aceleradamente, deixando para trás grandes lojas virtuais brasileiras, como a Saraiva e o Extra.
Assim como acontece nos Estados Unidos, os fundos de capital de risco têm olhado aqui no Brasil para sites de diferentes setores. O carioca Julio Vasconcellos, do site de compras coletivas Peixe Urbano, os paulistanos Flávio Pripas, da rede social de moda Fashion.me, e Leonardo Simão, do site de compras coletivas especializado em itens para crianças Bebê Store, são três empreendedores que receberam investimentos recentemente.
“A cada novo anúncio de aporte, aumenta o número de jovens que ganham confiança para abrir um negócio”, diz Ricardo de Carvalho, sócio da consultoria Deloitte.
Além de motivada pelo desenvolvimento do mercado brasileiro, a chegada dos fundos estrangeiros tem uma lógica externa. A maioria deles possui, há anos, escritórios nos principais polos mundiais — Estados Unidos, Israel, Europa, Índia e China. Como a competição por empresas nesses lugares fez com que os preços subissem, começou a fazer mais sentido buscar uma nova frente, como a América Latina.
A comparação com a China dá uma medida do quanto o mercado brasileiro ainda pode crescer. Nos últimos 18 meses, aconteceram 90 investimentos de 40 fundos em empresas chinesas, o triplo do número registrado no Brasil.
Para o executivo Alexandre Hohagen, que já foi presidente do Google na América Latina e hoje comanda o Facebook na região, a chegada desses grandes fundos é fundamental não apenas para os empreendedores mas também para disseminar a cultura do risco entre os investidores locais.
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