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Passados dez anos, a lógica mudou e a preocupação predominante é com o plano de negócios. Nesse sentido, o maior número de brasileiros em escolas de negócios em universidades americanas ajuda. A experiência no mercado de trabalho antes de empreender também faz crescer as chances de sucesso.
Os paulistanos Bob Rossato e Alex Todres, de 31 e 36 anos, trabalharam na Decolar.com, agência argentina de turismo online criada em 1999 e avaliada hoje em 800 milhões de dólares. Quando fundaram o Viajanet, em 2009, site especializado na venda de passagens aéreas, já tinham quase 15 anos de experiência.
O site se especializou nas vendas para a nova classe média e atraiu a atenção dos fundos americanos RedPoint Capital e General Catalyst Partners, que investiram na empresa em 2011 (o valor não foi revelado). O site faturou 200 milhões de reais no ano passado.
Os novos empreendedores, justiça seja feita, têm à disposição um ambiente mais favorável aos negócios do que a geração passada. Para começo de conversa, o mercado brasileiro ganhou uma nova dimensão. São 80 milhões de usuários de internet, o quinto maior mercado do mundo.
Em vendas de PCs, o Brasil só perde para China e Estados Unidos. Ao todo, o país conta com 200 milhões de linhas de celulares e 40 milhões de pessoas que acessam banda larga via redes 3G. Fora isso, hoje, toda a infraestrutura necessária para começar uma empresa pode ser alugada em serviços de computação em nuvem a custos muito inferiores aos praticados no começo da década passada.
“A estrutura de armazenamento de dados custa um centésimo do preço de dez anos atrás”, diz Yuri Gitahy, presidente da Aceleradora, grupo de apoio a jovens empresas de internet, baseado em Belo Horizonte. Segundo Gitahy, uma startup em seus primeiros dias pode começar a oferecer seus produtos ao consumidor com um custo que raramente ultrapassa 100 reais por mês. Isso ajuda a explicar por que estima-se em 6 000 o número de startups no Brasil, 1 000% mais do que no início dos anos 2000.
Esse novo cenário vem contribuindo para a formação de um ecossistema mais maduro no setor de internet. Empreendedores mais bem preparados têm mais chances de sucesso e atraem um número crescente de investidores estrangeiros. Em 2009, o site BuscaPé, que compara preços do varejo, foi vendido por 342 milhões de dólares ao grupo de mídia sul-africano Naspers.
Nos últimos dois anos, mais de 20 fundos americanos e europeus especializados em jovens empresas de tecnologia, entre eles seis dos 15 maiores do mundo, começaram a operar no Brasil. São nomes como Sequoia Capital, Accel Partners, Benchmark Capital e Tiger Global, fundos com históricos que incluem Facebook, Google, Apple e eBay.
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