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São Paulo - O paulistano Fernando Okumura, de 34 anos, poderia ter escolhido a profissão que quisesse. Depois de iniciar a faculdade de medicina na Universidade de São Paulo, abandonou o curso para fazer economia na respeitada escola de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia.
Na sequência, fez MBA na Universidade Stanford, na Califórnia, outra que está entre as melhores escolas de negócios do mundo. Com um currículo impecável, conseguiu emprego no banco JP Morgan em Nova York. Depois de dois anos, foi trabalhar na consultoria McKinsey na Austrália.
Os salários polpudos e as posições em empresas de destaque, porém, não foram suficientes para satisfazer seus anseios. Okumura voltou ao Brasil em 2006 e fundou duas empresas, entre elas o site de compras coletivas ClickOn.
Em 2009, com o dinheiro da venda dessas empresas (Okumura não revela os valores, mas estima-se que o ClickOn tenha lhe rendido 100 000 reais), iniciou seu terceiro projeto: um guia online de busca e referência de locais, o Kekanto. Não demorou para atrair a atenção de investidores.
No ano passado, o Kekanto recebeu aporte de valor não revelado de um dos maiores fundos de venture capital do mundo, o Accel Partners, que tem o Facebook e o site de compras coletivas Groupon em seu histórico de investimentos. Okumura nem chegou aos 35 anos, é presidente de sua empresa e, se amanhã tudo der errado, ainda tem um currículo capaz de recolocá-lo num bom emprego.
Uma análise do mercado brasileiro de startups, como são chamadas as empresas iniciantes de tecnologia, mostra que sua história não é exatamente única. Nos últimos tempos, surgiu no país um novo perfil de empreendedor. São profissionais mais velhos do que os da geração anterior, com mais escolaridade — muitas vezes, isso inclui um MBA no exterior — e mais experiência profissional.
Da última vez que o país viveu um boom de negócios de tecnologia, no final da década de 90 e início dos anos 2000, prevaleciam casos como o dos quatro universitários paulistanos fundadores do BuscaPé, liderados por Romero Rodrigues, e o do gaúcho Marcelo Lacerda, que aos 24 anos criou o provedor de internet Nutecnet, a origem do portal Terra.
A maioria dos empreendedores tinha 20 e poucos anos e cursava faculdades em áreas técnicas. “Naquela época, o objetivo dos empreendedores era fazer um produto que atraísse usuários imediatamente, não se dava muita atenção ao planejamento”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Startups, Gustavo Caetano.
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