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São Paulo - Professor emérito da universidade Princeton, o israelense Daniel Kahneman, de 78 anos, é um dos maiores expoentes mundiais na área do conhecimento dedicada à pesquisa do processo de decisão. Suas investigações ajudaram a colocar em xeque a ideia do Homo economicus, segundo a qual as pessoas sempre tomam decisões racionais movidas pelo interesse próprio.
Kahneman provou que, na vida real, todos somos influenciados pela razão, mas também por nossas crenças, ideias preconcebidas, intuições e emoções. Pelo conjunto de seu trabalho, Kahneman, um psicólogo sem formação na área econômica, foi premiado, em 2002, com o Nobel de Economia. Seu último livro — Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar — é um resumo de toda a sua obra e chega às livrarias brasileiras no começo de agosto.
Kahneman falou com EXAME sobre a aplicação de suas ideias no mundo empresarial, a posição alemã na crise europeia e a influência da internet na maneira como pensamos — tudo numa narrativa racional e, aparentemente, sem se basear na intuição.
EXAME - O senhor diz que a intuição é parte essencial do pensamento humano. É possível usar suas descobertas para melhorar a gestão de empresas?
Daniel Kahneman - Sim, há muito espaço para melhorar a forma como as decisões são tomadas nas organizações. De certa forma, empresas são fábricas de decisões. Como acontece na fabricação de toda a espécie de produto, é necessário ter um sistema de controle de qualidade.
No caso dos processos de decisão, porém, isso infelizmente não acontece com frequência. É muito difícil implementar um sistema de qualidade desse tipo, que consiga avaliar se as decisões foram tomadas tendo como base todas as informações necessárias. Medições que consigam nos dizer se as pessoas envolvidas não foram precipitadas, se não foram influenciadas por preconceitos ou por um viés. Acima de tudo, responder se a decisão tomada foi a melhor que poderia ter sido alcançada naquelas circunstâncias.
EXAME - Como esse programa de qualidade poderia ser implementado?
Daniel Kahneman - A primeira coisa a fazer é uma lista dos erros que a organização está mais propensa a fazer. Em segundo lugar, a direção da empresa pode ter uma espécie de checklist. Antes de a direção bater o martelo sobre um determinado assunto, um grupo olharia a lista para tentar identificar erros.
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