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São Paulo - Na Índia, a cada dia aumenta a expectativa sobre a transição de poder no grupo Tata, o maior conglomerado empresarial do país. Com um faturamento global de 83 bilhões de dólares, cerca de 50% maior que o do grupo Vale, o Tata atua em áreas tão diversas como telecomunicações, automobilística e construção.
Está prevista para dezembro a primeira mudança de presidente em duas décadas. Sai Ratan Tata, responsável pela internacionalização do grupo, hoje presente em mais de 80 países, dono de marcas renomadas como a montadora Jaguar Land Rover. E entra Cyrus Mistry, de 44 anos, que, além da pouca experiência à frente de um grande conglomerado, não carrega o sobrenome Tata.
As más línguas lembram que a família Mistry é a maior acionista individual do grupo Tata, com cerca de 19% de participação — viria daí, e não de seu sucesso como executivo, sua indicação. As ações foram compradas em 1930 pelo avô de Cyrus e, desde então, a família, dona de uma fortuna estimada em 7,6 bilhões de dólares, tem lugar cativo no conselho de administração da holding.
Mas Mistry venceu a disputa contra o meio-irmão de Ratan, Noel Tata, tido como um dos favoritos ao cargo, e outros 12 candidatos, entre eles a indiana Indra Nooyi, presidente mundial da Pepsi.
A solução caseira por Mistry, aprovada por todos os membros do conselho, seguiu o desejo de Ratan, que queria sangue novo no comando. Sangue novo, mas com algumas velhas características. Mistry, assim como Ratan, é conhecido por seu estilo discreto, pela habilidade com temas financeiros e por ter metas ousadas.
À frente da construtora da família, Mistry foi um dos principais responsáveis pelo aumento do faturamento de 20 milhões de dólares, no começo dos anos 90, para cerca de 1,5 bilhão, hoje. No campo étnico e espiritual, sempre uma questão importante na Índia, também há semelhanças entre o presidente que sai e o que chega.
Ambos são parses, como são chamados os seguidores da religião zoroastrista na Índia, a que deposita seus mortos no topo de uma torre para ser consumidos por abutres. Criado há 144 anos, o grupo Tata tem como tradição buscar sucessores com características semelhantes às dos líderes de saída.
Por mais de um terço de sua história, entre 1938 e 1991, o grupo foi administrado por um só presidente, Jehangir Ratanji Dadabhoy Tata. Quando passou o bastão para Ratan, disse: “Acho que ele é o mais parecido comigo”.
Veredito
A aposentadoria de Ratan já vinha sendo discutida havia mais de cinco anos. Há pelo menos dois anos, começou a ser trabalhada objetivamente dentro do grupo. Desde agosto de 2010, foram diversas as reuniões do conselho de administração da holding para tratar do assunto e entrevistar os candidatos.
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