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EXAME - Por que a OGX é a única empresa do grupo de Eike Batista em que o senhor investe?
Dório Ferman - Não há uma razão especial. Temos de escolher. Gostamos de analisar a empresa a fundo e, por isso, não dá para acompanhar todas. Seguimos de perto a mineradora Vale, que é muito simples de ser avaliada porque tem poucos produtos, está num ciclo de vida já maduro e tem uma divulgação muito clara de informações.
Nesse caso, por exemplo, achamos que a empresa tem um potencial maior do que o mercado julga. Também temos feito um grande esforço na análise dos bancos. Achamos que estão baratos, e agora temos de comprovar. A OGX nos interessou porque é a maior do grupo EBX.
Eike Batista soube montar uma equipe capaz e apostamos nisso. Fomos os primeiros a acreditar na OGX, inclusive antes da oferta pública de ações (IPO). Entramos na empresa ainda no pré-IPO, com um fundo de ações, mas numa operação mais parecida com private equity (fundos que compram participação em empresas para depois vendê-las).
EXAME - E o senhor está vendido em quais ações atualmente?
Dório Ferman - Não podemos falar nada sobre nossas posições por dever fiduciário. Mas, de forma geral, trabalhamos pouco com esse tipo de operação porque elas são arriscadas demais. Nosso foco é procurar empresas que julgamos estar baratas e comprar. Somos mais investidores do que especuladores.
EXAME - Como decidir a hora certa de comprar e de vender?
Dório Ferman - Não existe hora certa. Pensamos sempre no fundamento e no preço da empresa, nunca na hora. Calculamos internamente o valor da empresa, sempre dentro de uma posição fundamentalista, e comparamos com o valor que o mercado está pagando por ela.
EXAME - O desempenho da bolsa brasileira tem sido um dos piores do mundo. Qual é sua estratégia para ganhar dinheiro num mercado assim?
Dório Ferman - Por pior que esteja o mercado, sempre há oportunidades — para comprar e vender. Não dá para adivinhar o futuro. Quem diz saber atesta que sabe muito pouco. Tudo indica que a crise na Europa será longa. Os problemas são profundos, e têm origem na criação de uma união monetária que não foi acompanhada de uma maior integração das políticas fiscais e de esforços para a ampliação da mobilidade da mão de obra.
Por isso, em diversas economias da região existem problemas de competitividade entrelaçados a dificuldades fiscais graves. Para resolver a questão da competitividade, os países precisam tornar seu mercado de trabalho mais flexível, reduzir o custo de contratação e demissão, de forma a permitir a dolorosa, mas necessária, redução dos salários reais. Também é preciso que a união monetária se faça acompanhar de uma união fiscal.
Os países europeus precisariam renunciar à parte de sua soberania em favor de um poder federativo europeu. A superação da crise exige que se avance em reformas institucionais que envolvem desafios políticos enormes. Mudanças dessa natureza se dão ao longo de anos. Mas uma coisa é certa: não é preciso esperar que as coisas se resolvam para fazer bons investimentos.
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