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Dório Ferman, do Opportunity: “Somos mais investidores do que especuladores”
Rio de Janeiro - Numa crise, enquanto muitos choram prejuízos, alguém sempre sai ganhando, mesmo que seja vendendo lenços. A frase é batida, mas ilustra perfeitamente a situação ocorrida com as ações da empresa de petróleo OGX na última semana de junho.
Enquanto a petroleira, controlada pelo empresário Eike Batista, perdeu 40% de seu valor de mercado em apenas dois dias, um pequeno grupo de investidores — gestores de grandes fundos de ações — ganhou dinheiro apostando que ocorreria justamente isso: a queda do preço dos papéis.
O pernambucano Dório Ferman, fundador do banco Opportunity e um dos mais renomados gestores de recursos do país, foi um dos que mais lucraram. Foram cerca de 40 milhões de reais nos dois dias de queda das ações da OGX, embolsados em operações conhecidas, no jargão do mercado, como short selling ou venda a descoberto.
Ferman não fala em números, mas admite o ganho, que fica mais espetacular quando se observa o valor que havia sido aplicado na operação: cerca de 136 milhões de reais, ou seja, 30% de rendimento sobre o capital investido.
Hoje, o Opportunity, que administra 18 bilhões de reais, sendo 10 bilhões em fundos de ações, voltou a comprar os papéis da OGX. “Achamos que o preço estava abaixo do razoável”, disse Ferman a EXAME, numa de suas raras entrevistas.
EXAME - Por que o senhor estava apostando contra a OGX?
Dório Ferman - Não apostamos contra a empresa, mas contra a percepção do mercado em relação a seu valor na bolsa. Achávamos que a OGX estava um pouco cara. O grau de otimismo do mercado em relação à empresa estava alto demais. Na verdade, já estávamos vendidos há uns dois meses antes de essa desvalorização forte ocorrer.
Mas não esperávamos uma baixa tão brusca. No primeiro dia de queda, quando os papéis perderam 25%, revertemos dois terços de nossa posição vendida — ou seja, compramos para devolver aos locadores as ações que tínhamos vendido.
Achávamos que a queda tinha sido grande demais. Para nossa surpresa, no dia seguinte, o mercado abriu com a ação caindo mais 5%. Aí, compramos o terço restante e zeramos nossa posição.
EXAME - O senhor passou a comprar as ações da OGX em seguida. Por quê?
Dório Ferman - Achamos que o valor da empresa ficou abaixo do razoável depois do evento. Essa mesma lógica nos levou a comprar papéis da OGX em 2009. Julgamos que estava barato, investimos e ganhamos. Naquela época, chegamos a comprar ações a 280 reais (o que significaria 2,80 hoje, depois da divisão das ações). Na média, compramos a 600 reais e vendemos a 1 000 reais. Foi um bom negócio, mas o papel chegou a 2 000 reais.
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