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Nova York - Sorridente, de calça jeans e o colarinho da camisa aberto, o megainvestidor americano Sam Zell recebeu EXAME para uma entrevista exclusiva numa manhã ensolarada em Manhattan.
Nada remetia à imagem soturna de um investidor que se autodenomina gravedancer (em português, algo como “dançarino de túmulos”), em referência à sua habilidade de fazer dinheiro com empresas quebradas. No Brasil, ele é mais conhecido como um dos primeiros grandes investidores estrangeiros a mandar dólares para o mercado imobiliário local, em 2005.
Nos últimos dois anos, porém, surpreendeu ao se desfazer de participações importantes em empresas como a Gafisa. Acertou em cheio — desde que começou a vender suas ações, em 2010, o valor de mercado da incorporadora caiu 80%.
Se ele saiu na hora certa, alguns de seus mais recentes movimentos demonstram novamente o interesse de Zell pelo Brasil. Em 2012, ele comprou o grupo imobiliário paranaense Thá, com um faturamento aproximado de 1,5 bilhão de reais, e fez uma oferta conjunta com a GP Investimentos para recuperar o controle da Gafisa — a proposta foi recusada em fevereiro.
Zell viaja a negócios para o Brasil no dia 30 de julho. O investidor, no entanto, não diz se a oportunidade do momento é a compra ou a venda de ativos. A seguir, os principais trechos da entrevista.
EXAME - Há três anos, o senhor disse que, se pudesse, “compraria o Brasil”. Continua otimista como antes?
Sam Zell - Muita coisa mudou desde então. Naquela época, o país crescia a uma taxa de 8% e todos os investidores do mundo queriam estar no Brasil. Agora, o país cresce 2,5% e o ritmo está reduzindo. Boa parte do que está acontecendo no país é reflexo da crise na Europa.
Todos os mercados emergentes sofrem uma desaceleração e o Brasil não é exceção. A moeda brasileira desvalorizou 18% desde o início do ano. A moeda indiana desvalorizou 25% no mesmo período. O crescimento chinês está mais lento.
EXAME - Isso quer dizer que os tempos de prosperidade estão ficando para trás?
Sam Zell - Não. Daqui a dez anos, o Brasil vai sair disso bem. Mas os próximos dois ou três anos serão mais difíceis, com um contexto externo desfavorável.
EXAME - As oportunidades de negócios no país também devem diminuir?
Sam Zell - Pontos de vista diferentes podem fazer a mesma situação parecer interessante para um e assustadora para outro. Quando começamos a investir no Brasil, ninguém nos seguiu. Não tínhamos competição e era ótimo. Depois passamos a ter muita competição — e ficou menos ótimo. Agora temos menos competição de novo. As oportunidades tendem a aumentar.
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