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A Apple não é sequer um lugar particularmente agradável, em uma era em que legiões de empresas competem para ser listadas na classificação anual dos lugares mais desejáveis para trabalhar. A Apple faz questão de não participar dessas disputas. É o oposto do ambiente do Google, talvez o melhor exemplo do que é considerado ‘bacana’ em termos de gestão de pessoas nos dias de hoje.
‘Posso trabalhar de pijama, comer salgadinhos e apostar corrida de patinete elétrico com os outros engenheiros.’ Essa é uma frase possível no Google que jamais foi ouvida na empresa criada por Jobs. A Apple paga salários competitivos com os do mercado, mas longe de serem os melhores.
Um diretor sênior pode receber um salário anual de 200 000 dólares mais bônus, que podem, nos anos bons, aumentar a remuneração total em 50%. De acordo com executivos da empresa, falar em dinheiro na Apple é desaconselhável, mesmo que a carga de trabalho muitas vezes inclua fins de semana e feriados. Quando era o vice-presidente de operações da Apple, Tim Cook era famoso por agendar reuniões com sua equipe nos domingos à noite.
Os executivos referem-se ao manual de procedimentos da empresa como a receita do ‘tempero secreto’. Quanto aos aparelhos da Apple — por mais que o mundo admire ou goste deles —, poucos entendem como ela os faz e os comercializa.
Não se sabe como seus líderes atuam — a maneira como a empresa coloca equipes para competir umas contra as outras e a falta de abordagem para o desenvolvimento de carreira.
Na Apple, muitos membros de posições médias trabalham duro durante anos na mesma função — mais uma diferença do resto do mundo corporativo, que costuma ter planos de carreira muito claros. Na empresa com a marca de Jobs, um punhado de assistentes dos executivos mais importantes é eleito para formar a próxima geração de líderes.
‘O que o Steve faria?’ certamente será a pergunta mais repetida por essa geração durante os próximos anos. Se eles conseguirem colocar em prática o que lhes foi ensinado, o sucesso da empresa está garantido. De fato, a ausência de Jobs colocará em teste a cultura da empresa que ele tentou institucionalizar em seus últimos anos de vida.
O último conselho que Jobs deixou a seus executivos, inclusive a Cook, o atual presidente, foi: ‘Nunca pergunte o que fazer, apenas faça o que é certo’. Pode demorar alguns anos, mas no futuro o mundo descobrirá se Steve Jobs era a Apple — ou se ele foi bem-sucedido na criação de um organismo suficientemente forte para sobreviver à sua morte.”
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