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Harvard: novas salas de aula, viagens para países emergentes e empreendedorismo
Boston - Apenas oito alunos compunham a primeira turma de MBA do mundo, formada em 1910 pela escola de negócios da Universidade Harvard, nos arredores de Boston. De lá para cá, o grupo cresceu exponencialmente. Hoje, há 9 000 inscritos todos os anos, dos quais 10% são aprovados.
Numa tradição secular, a base do curso permaneceu quase tão intocada quanto a paisagem do campus, repleta de prédios no aristocrático estilo georgiano. Pelo menos foi assim até a aula inaugural da turma que deverá se formar no início de 2013. Em setembro do ano passado, ela se tornou cobaia de um experimento histórico — a maior revisão curricular realizada pela escola em mais de 100 anos de existência.
No novo modelo, o conceituadíssimo método de estudos de caso, criado em Harvard e copiado à exaustão por milhares de escolas de negócios em todo o mundo ao longo do último século, perdeu espaço. Mais do que nunca, os alunos deixaram as quatro paredes da escola.
Trabalharam por uma semana num país emergente que não conheciam. Criaram uma empresa do zero. Até mesmo as tradicionais salas de aula mudaram. “Num período de apenas três meses, concluí um projeto na Índia e abri uma empresa de internet, além de outras atividades do curso”, diz o mineiro César Carvalho, um dos alunos da mais nova turma de MBA de Harvard.
Os planos de mudar surgiram após a nomeação do indiano Nitin Nohria como reitor em julho de 2010. Sua chegada, por si só, representou uma quebra na tradição da escola de negócios, cujo comando jamais fora ocupado por um estrangeiro. Nohria logo passou a articular uma resposta às críticas contra os cursos de MBA, que se intensificaram nos últimos anos.
Muitas delas partiram de dentro da própria instituição. Uma das mais impactantes está no livro Rethinking the MBA (“Repensando o MBA”, sem versão para o português), lançado em 2010 por um grupo de acadêmicos de Harvard, Srikant Datar, David Garvin e Patrick Cullen.
Os autores criticam duramente o currículo, “extremamente teórico”. Sobra até para os alunos, “exageradamente confiantes” e mais interessados em circular e fazer contatos do que polir seu conhecimento. Para o indiano Pankaj Ghemawat, especialista em estratégia egresso de Harvard e atual professor da escola de negócios espanhola Iese, os cursos são pouco globais num mundo globalizado.
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