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Economia | 25/07/2012 08:00

Ainda falta um plano de voo

As 500 maiores empresas do país nunca faturaram tanto, de acordo com Melhores e Maiores 2012. Mas lucros em queda mostram que o Brasil se ressente da falta de reformas

Antônio Milena/EXAME.com

Laércio Cosentino, da Totvs, e Roberto Civita na premiação de Melhores e Maiores 2012

Laércio Cosentino, da Totvs, e Roberto Civita: a empresa enriqueceu antes de envelhecer. O Brasil precisa fazer o mesmo

São Paulo - Passada a euforia de 2010, quando o produto interno bruto brasileiro cresceu estupendos 7,5%, um certo ar de ressaca tomou os humores da economia brasileira no ano passado. Para o Brasil, 2011 foi um misto de alívio — afinal, em um mundo em crise, conseguimos crescer 2,7% — com desconfiança do cenário que se desenha no horizonte.

Esse espírito foi captado pelos números reportados pelas 500 maiores empresas do país, pre­miadas no dia 4 de julho na festa da edi­ção especial Melhores e Maiores 2012. Por um lado, esse conjunto de empresas teve faturamento líquido de 2 trilhões de reais em 2011, montante 7,3% maior que o do ano anterior.

É, sem dúvida, uma soma de respeito: foi o maior faturamento registrado em 39 anos de acompanhamento da economia feito por Melhores e Maiores. Por outro lado, o lucro das empresas recuou quase 17%, e o retorno do patrimônio caiu de 10,7% para 8,2%.

Também as margens de vendas deram um sinal de alerta de que nem tudo no universo corporativo — e, por extensão, na economia brasileira — está sob céu azul. Esse indicador fechou 2011 em 8,2%, seu segundo pior patamar desde 2003.

Conforme afirmou em seu discurso Roberto Civita, editor e presidente do conselho de administração do Grupo Abril, um jeito positivo de encarar a situação é que o país, livre afinal da euforia vivida em 2010, tem a chance de enxergar a economia sem superestimar seus méritos — e sem negligenciar suas fraquezas.

Para este ano, analistas já enxergam a possibilidade de crescimento da economia inferior a 2%. Representante do governo na festa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a reforçar seu argumento de que o Brasil está preparado para enfrentar a crise externa. “Não podemos nos deixar impressionar pelo mau humor do cenário internacional”, disse ele.

E, na sequência, elencou medidas oficiais tomadas para fazer frente às intempéries, como o corte de tributos de setores como linha branca e móveis e um pacote de compras públicas de 6,6 bilhões de reais. Mas as respostas dadas pelo governo a novos solavancos — sejam elas eficazes ou não — costumam ter efeito de curta duração.

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