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São Gonçalo do Amarante - O sol está a pino e o termômetro ultrapassa os 30 graus. O imenso descampado na cidade cearense de São Gonçalo do Amarante, a 60 quilômetros de Fortaleza, anuncia que uma obra de grandes proporções está prestes a ser erguida ali. Duas centenas de máquinas — entre caminhões, tratores e escavadeiras — estão no local.
À sombra de uma das poucas árvores que sobreviveram à etapa de terraplenagem do canteiro de obras da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), o coreano Hong Seok, de 48 anos, refugia-se do calor.
O engenheiro faz parte da primeira leva de uma centena de expatriados coreanos que já chegou aqui para a construção da CSP, investimento da mineradora brasileira Vale e das siderúrgicas Posco e Dongkuk, ambas da Coreia do Sul. Funcionário da Taein, uma das empresas subcontratadas para a construção da CSP, ele e mais seis conterrâneos supervisionam a construção das fundações da siderúrgica.
“Não sei falar português e aqui ninguém consegue dizer nada em inglês”, diz Seok, que chegou há um mês ao Ceará e até hoje senta na mesa do restaurante na hora do almoço e espera o garçom escolher o que ele vai comer.
Dificuldades de comunicação à parte, Seok pode se considerar uma pessoa de sorte por já ter vencido a burocracia brasileira e conseguido um visto permanente para trabalhar. Começou a se preparar para vir para o Ceará no ano passado. Enviou todos os documentos exigidos pelo Ministério do Trabalho, esperou quatro meses e, finalmente, em junho, conseguiu começar a trabalhar.
A expectativa é que 5 000 coreanos passem pelo Ceará até 2015, quando a usina deve entrar em operação. Essa legião de trabalhadores asiáticos chega a um Brasil que, visto de fora, é a terra das oportunidades: a sexta maior economia do mundo, o quarto maior destino global para o investimento estrangeiro produtivo e um país aberto às mais diferentes culturas.
Mas esses coreanos chegam também a um Brasil que vive um paradoxo: está à beira do pleno emprego e, mesmo com um mercado de trabalho nacional despreparado, impõe restrições para a importação de trabalhadores estrangeiros. No projeto da siderúrgica, a maior dificuldade é justamente a contratação de mão de obra especializada.
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