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Marcos Bicudo, da Philips: há três anos na presidência, ele até que durou bastante
São Paulo - Em setembro do ano passado, o executivo paulistano Marcos Bicudo recebeu a maior missão de sua carreira. Ele assumiu a presidência da multinacional holandesa Philips em toda a América Latina — ele já era responsável pela subsidiária brasileira há dois anos, cargo que acumulou com a promoção.
A amigos, disse que começava ali um ciclo de pelo menos cinco anos. Mas, passados dez meses, ficou provado que Bicudo não é lá muito bom de previsão. No fim de junho, a Philips anunciou que o executivo está deixando a empresa.
Em seu lugar, assumirá em setembro o holandês Henk de Jong, atual responsável pela divisão de bens de consumo da Philips na Europa, na Ásia, no Oriente Médio e na África. Presidentes vêm e vão, mas o que chama a atenção no caso da operação local da Philips é a frequência com que isso vem acontecendo.
Incluindo De Jong na conta, a empresa teve cinco presidentes nos últimos cinco anos. Após a aposentadoria de Marcos Magalhães, dono do posto por dez anos, houve uma sucessão de nomes pouco usual para uma empresa do porte da Philips.
Bicudo até que durou muito: foram três anos à frente da companhia. Seu antecessor, o holandês Robert van de Riet, ficou nove meses no cargo. O paulistano Paulo Zottolo, um ano e meio. Henk de Jong assume, portanto, uma cadeira que mal tem esquentado.
O que explica a dança das cadeiras na Philips? Como é de costume em situações desse tipo, o troca-troca constante é sinal de que algo não vai bem. Nos últimos anos, a Philips vem passando por uma difícil transição — que afeta suas vendas no mundo todo. Aquela que era uma das mais importantes empresas de consumo do planeta está tentando se transformar numa líder em equipamentos de saúde e iluminação.
Assolada pela competição com as marcas coreanas, a Philips anunciou no ano passado sua saída do mercado de TVs — a marca foi licenciada para uma empresa chinesa. Apesar de representar cerca de 20% do faturamento da multinacional, a área de TVs perdia dinheiro sem parar — e contribuiu muito para o prejuízo de 1,3 bilhão de euros da Philips em 2011.
Ao mesmo tempo que se livra de seu produto mais importante, a empresa enfrenta problemas no segmento de lâmpadas, que fatura cerca de 2 bilhões de euros, um décimo das vendas totais da Philips.
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