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São Paulo - No início do ano, os diretores do McDonald’s no Brasil levaram um grupo de executivos da matriz americana para conhecer o interior do país. A ideia era mostrar o forte ritmo de crescimento da marca. Quando o grupo estava saindo de um restaurante recém-inaugurado, no interior de Goiás, os americanos perguntaram quantos quilômetros faltavam para chegar à próxima lanchonete da rede. Eram pelo menos 200.
Os americanos não conseguiram esconder a surpresa. Nos Estados Unidos, o McDonald’s tem 16 000 pontos de venda. Mesmo nos povoados mais distantes, é possível comer um Big Mac em uma loja, dirigir uns poucos quilômetros e parar para um cafezinho na unidade seguinte.
“Para eles, é difícil entender esse enorme potencial no interior”, diz Dorival Oliveira, diretor de expansão do McDonald’s. “Reduzir as distâncias é nossa prioridade.” Em 2011, o McDonald’s abriu 47 novos restaurantes no Brasil, um recorde. Apenas quatro deles em capitais. O restante fica em cidades como Itaguaí, no Rio de Janeiro, ou Petrolina, em Pernambuco.
A chegada a Brusque, localizada a 100 quilômetros de Florianópolis, em Santa Catarina, é simbólica. Com 100 000 habitantes, Brusque passaria longe do radar dos executivos do McDonald’s até há pouco tempo. A cidade não tem shoppings, não tem arranha-céus, não tem aquele ritmo frenético das metrópoles.
Fundada por imigrantes alemães no século 19, Brusque cultiva com orgulho um ar de cidade do interior. É famosa por sua indústria têxtil, por suas microcervejarias e pela festa nacional do marreco, prato típico da região. Mas o forte crescimento do município e sua alta renda per capita — de 23 000 reais em 2009, 40% acima da média brasileira — chamaram a atenção da empresa. E, no fim de 2011, Brusque recebeu uma unidade do McDonald’s — que vive lotada.
Com a concorrência crescente nas capitais, empresas dos mais diversos setores elegeram as cidades médias como prioridade. Motivos não faltam. Para começar, está cada vez mais difícil, e caro, ganhar espaço nas metrópoles. A concorrência é pesada, a mão de obra é cara e o preço dos imóveis tem dobrado a cada três ou quatro anos.
Por outro lado, o interior nunca foi tão atraente. O número de cidades que têm entre 100 000 e 500 000 habitantes passou de 80, nos anos 70, para 233. A participação das capitais no consumo do país caiu de 46% em 1995 para 32% hoje, de acordo com a consultoria IPC, especializada em consumo.
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