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China | 12/07/2012 05:55

O império chinês chegou ao limite?

O mundo depende cada vez mais da força da economia chinesa para crescer. Mas os sinais de desaceleração são claros. Para onde vai a China? EXAME ouviu dois dos maiores especialistas do mundo no assunto

AFP

Festa popular na China

Festa popular na China: neste ano, a expansão não passará de 7%

Nova York - A China desperta temor em boa parte do mundo há pelo menos duas décadas. A princípio, pela rapidez avassaladora com que dizimou concorrentes ao inundar o planeta com produtos a preços baixíssimos. Hoje, o temor permanece, mas pelo motivo contrário — a ameaça de uma queda brusca no vigoroso ritmo de crescimento do país, a segunda maior economia mundial.

Desde os anos 90, a China cresce a uma taxa acima de 10% ao ano. Em 2012, analistas preveem uma expansão em torno de 7%. Alguns cogitam a  possibilidade de uma desaceleração abrupta, com consequências potencialmente dramáticas para o mundo todo. Até onde vai o fôlego chinês?

EXAME colocou a questão para dois especialistas — um pessimista e outro otimista. O economista Michael Pettis, professor da Universidade de Pequim, prevê um cenário alarmante. O investidor americano Jim Rogers, ex-sócio de George Soros e dono da empresa de investimentos Rogers Holdings, acredita na resistência chinesa. A seguir, os principais trechos das entrevistas

EXAME - A economia chinesa vai se retrair de forma brusca?  

Michael Pettis - Sim, o modelo de cres­cimento chinês é insustentável. Um intenso cronograma de investimento comandado pelo Estado se tornou a principal fonte de crescimento do país nos últimos anos. Como a dívida cresce de maneira bem mais veloz que a economia, essa situação não poderá continuar por muito tempo.

Uma queda acen­tuada no crescimento da economia parece inevitável. Como este é um ano de transição política, com a passagem do comando do país no início de 2013, é possível que o governo se esforce para manter um ritmo razoável neste ano. Não mais do que isso.

Jim Rogers - Não acredito nisso. Está claro que o ritmo das últimas duas décadas, acima de 2 dígitos, diminuirá nos próximos anos, mas o governo tem instrumentos para administrar um desaquecimento suave. Parte da economia continuará próspera, como a agricultura e os negócios ligados ao tratamento de água. Muita gente continuará a fazer muito dinheiro na China. 

EXAME - Até que ponto a China investiu bem nos últimos anos? 

Michael Pettis - Até os anos 90, boa parte do investimento era viável. Desde então, muito dinheiro foi gasto com centenas de projetos imobiliários vazios, infraestrutura excessiva e expansão da capacidade das fábricas, sendo que o mundo já tem excesso de capacidade produtiva. 

Jim Rogers - No geral, os planos de investimento foram bem arquitetados. Por outro lado, o que funcionou no passado não vai funcionar daqui para a frente. O desafio da China está no futuro — como não se tornar um país semelhante aos Estados Unidos, que acumularam uma dívida gigantesca sem investir para se tornarem mais competitivos no longo prazo, e sim para manter burocratas em seus empregos. 

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