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São Paulo - O cenário empresarial brasileiro chamou a atenção pela consolidação nos últimos anos. Muitas companhias usaram as compras como ferramenta de expansão. Num ano em que o crescimento econômico arrefeceu, o número de fusões e aquisições no país foi recorde: foram 817 operações, batendo as 726 realizadas em 2010, de acordo com levantamento da consultoria KPMG.
Ao final de 2011, juntos, os 200 maiores grupos em atuação no Brasil tiveram receita líquida superior a 920 bilhões de dólares, valor quase 12% maior que o do ano anterior. Nessa temporada de compras e alianças, alguns grupos diversificaram os negócios ou passaram a explorar novos mercados geograficamente.
O grupo Odebrecht (4º no ranking dos 200 grupos), tradicional na construção e na petroquímica, comprou a fabricante de mísseis Mectron, de São José dos Campos, para expandir os negócios na área de defesa. O varejista chileno Cencosud (66º entre os 200), que já atuava com os supermercados G. Barbosa no Nordeste, adquiriu a rede carioca Prezunic, com 31 lojas.
No ano anterior, havia absorvido a rede mineira Bretas, com 73 pontos de venda. As aquisições colaboraram para que a receita do Cencosud crescesse 73% em 2011, para perto de 3 bilhões de dólares.
Abrir o leque sempre foi uma opção das empresas para crescer. Mas foi nos anos 50 que algumas delas, nos Estados Unidos e na Europa, começaram a utilizar a credibilidade de uma marca para lançar produtos. Nessa época, surgiram os grandes conglomerados mundiais, como a anglo-holandesa Unilever, que hoje, só no Brasil, atua com 25 marcas, oferecendo mais de 700 produtos — de sabão em pó a sorvete.
Quanto aos resultados, a diversificação ora se mostra uma estratégia bem-sucedida, ora leva as empresas a enfrentar problemas de gestão ou de endividamento. Em tempos de turbulência econômica, contar com negócios em diferentes áreas pode servir para equilibrar as contas.
Uma pesquisa da consultoria Boston Consulting Group mostra que as empresas diversificadas tiveram melhor desempenho durante a crise internacional nos últimos três anos. Elas puderam compensar o mau retorno em um setor com os bons resultados em outro. No Brasil, o grupo Cosan (21º entre os 200) decidiu explorar novas áreas para depender menos do campo.
A alta volatilidade do mercado de álcool e açúcar levou o empresário Rubens Ometto, controlador do grupo, a desembolsar, nos últimos cinco anos, mais de 7 bilhões de reais em aquisições e investimentos em outros setores. No ano passado, o Cosan incorporou os negócios de distribuição de lubrificantes da Exxon Mobil na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai.
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