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Fábrica da Parmalat, controlada pela Laep: prejuízos e balanços atrasados aumentam a insatisfação dos acionistas minoritários; fundos estrangeiros venderam suas ações na empresa
São Paulo - No começo de junho, um grupo de cerca de 20 acionistas da Laep, dona da fabricante de produtos lácteos LBR e da butique Daslu, reuniu-se em frente ao escritório da empresa, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo. A visita foi tensa. E um tanto bizarra. Usando máscaras do assassino do filme Pânico, com faixas, apitos e megafones, eles foram protestar.
Motivos para indignação não faltavam. O principal deles: o espetacular desempenho das ações da empresa na Bovespa. Espetacular pela queda, fique claro. Desde sua abertura de capital, em outubro de 2007, o valor das ações da Laep caiu inacreditáveis 99,9%. Chegar a um número desses não é nada fácil.
Até um ano atrás, as ações da Laep já haviam caído 98%. Muita gente achou que estavam depreciadas e que era bom negócio comprar. De lá para cá, o preço caiu mais 96%. É, sem a menor sombra de dúvida, o maior fenômeno da bolsa brasileira.
Também é um caso inédito. Nem mesmo as ações de empresas que quebraram caíram tanto. Os papéis da Varig, companhia aérea que decretou falência em 2010 depois de vender parte de sua operação à Gol, caíram 96% antes de deixar de ser negociados na bolsa — como os bens da empresa tinham valor, a queda nas ações sempre esbarrou num piso.
Os da empresa agrícola Agrenco, que está em recuperação judicial desde 2009, tiveram baixa de 98%. Os minoritários fantasiados de Pânico que participaram do apitaço na sede da Laep cobravam uma explicação: o que, afinal, acontece com a Laep? Como as ações caem tanto?
Para começar, os resultados da empresa não ajudaram. Desde 2007, a empresa só deu lucro uma vez, em 2011. Mas a sequência de prejuízos não seria suficiente para fazer da Laep esse caso de estudo do mercado acionário brasileiro. O nó da questão é uma mistura das atitudes do controlador da empresa, o investidor Marcus Elias, com um conjunto de regras que favorecem companhias sediadas em paraísos fiscais, como é o caso da Laep.
De 2010 até hoje, Elias emitiu novas ações da Laep quatro vezes. As emissões serviram para ajudar a financiar o dia a dia da empresa. A praxe em operações como essas é que os demais acionistas tenham direito de comprar novas ações para que suas participações não sejam diluídas.
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