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Crise | 05/07/2012 05:55

Eike Batista sob pressão total

Enquanto tenta tirar do papel vários projetos complexos e de alto risco, Eike Batista enfrenta uma crise de confiança que abala todas as suas empresas

Fernando Cavalcanti/EXAME.com

Eike Batista na abertuda de capital da OGX

Confiem em mim: abertura de capital da petroleira OGX, em 2008, na Bovespa. Eike diz que tem 9 bilhões de dólares em caixa, mas as ações da empresa derreteram no final de junho

Rio de Janeiro - É comum que pessoas famosas se tornem alvo de piadas. Com o bilionário Eike Batista não é diferente. Uma delas diz que o empresário pretende entrar no ramo de papel e celulose para, finalmente, produzir “caixa”.

A brincadeira revela o que muitas pessoas pensam a respeito de Eike: que ele captou bilhões de dólares de investidores com projetos que ainda não dão dinheiro — e não geram o “caixa” da piada. No final de junho, essa visão foi reforçada, e de forma retumbante.

O mercado castigou a OGX ao ser informado de que a produção de seus dois primeiros poços de petróleo ficará em apenas um quarto do estimado inicialmente pela empresa. Os papéis da petroleira de Eike caíram 40% em dois dias, e o abalo se propagou por todas as empresas de capital aberto do grupo EBX (sigla que pode ser lida como Eike Batista Multiplica).

Somente nos pregões de 27 e 28 de junho, o grupo perdeu mais de 12 bilhões de reais. Eike é tido como um excepcional vendedor. Terá, agora, perdido sua capacidade de convencimento?

Na contramão dos investidores, o presidente mundial da GE, o americano Jeff Immelt, diz acreditar em Eike e em suas empresas. “Ele é um dos líderes mais dinâmicos não só do Brasil mas de todo o mundo”, afirmou Immelt a EXAME. Em maio, a GE pagou 300 milhões de dólares por uma fatia de 0,8% da holding de Eike. 

A GE estava na lista de sócios para quem Eike telefonou na quarta-feira 27 para explicar a crise desencadeada pela OGX. Parte da explicação dada por Eike aos acionistas foi que a vazão de 5 000 barris diários em cada um dos poços da petroleira está longe de ser um resultado ruim.

De fato, a média de produção de poços na bacia de Campos é de 3 500 barris por dia. Eike também salientou que seu grupo tem 9 bilhões de dólares em caixa, o que lhe permite financiar por um bom tempo seus empreendimentos. O que torpedeou, então, a petroleira e todas as empresas de Eike na bolsa?

A resposta: credibilidade — ou, mais precisamente, a falta dela. As empresas do grupo EBX foram abatidas por uma crise de confiança, diante da frustração provocada por estimativas otimistas demais. Antes do teste dos poços em questão, a OGX divulgou que eles poderiam ter vazão de 20 000 barris por dia. Durante os testes, a empresa sinalizou com 10 000. Quando, ao final, foram cravados 5 000 barris, a decepção foi total.

A reação do mercado, entretanto, vai muito além da decepção causada pelo anúncio da petroleira. Reflete, na verdade, o temor de que todas as empresas de Eike façam projeções superestimadas de forma corriqueira. Não é a primeira vez que a OGX leva um tombo e arrasta com ela as outras empresas do grupo.

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