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Entrevista | 06/07/2012 05:55

Eike Batista responde ao mercado financeiro

Eike Batista, o homem de negócios mais admirado por executivos brasileiros, fala sobre suas empresas e o tombo recente que elas levaram na bolsa

Gabriel Rinaldi/EXAME.com

Eike Batista no Rio de Janeiro

Se o mercado não me quer, eu me quero: o empresário diz que o mercado exagerou e que está se planejando para recomprar ações de suas empresas

Rio de Janeiro - O empresário Eike Batista, de 55 anos, levou um dos maiores tombos da história da bolsa no fim de junho. Uma informação sobre sua petroleira, a OGX, foi mal recebida pelo mercado, que derrubou os papéis de todas as companhias abertas do grupo EBX.

Juntas, as empresas perderam mais de 8 bilhões de reais de valor em um único pregão. Dias antes, Eike havia sido eleito o homem de negócios mais admirado numa pesquisa feita por EXAME com dirigentes das maiores empresas do país. O mineiro, de Governador Valadares, ficou à frente do empresário Jorge Gerdau e do mito Steve Jobs.

Eike se tornou celebridade depois de entrar na lista dos homens mais ricos do mundo (com fortuna avaliada em 30 bilhões de dólares em 2011, é o sétimo no ranking da revista Forbes). Outra parte da fama deve-se à quantidade de empresas que iniciou nos últimos anos — fora da mineração, área em que atua há 30 anos, Eike criou ou se associou a mais de uma dezena de negócios, que vão de portos ao campeonato de artes marciais UFC.

E o mercado acompanha cada passo de seu grupo. Nas entrevistas que concedeu a EXAME — em seu escritório, no centro do Rio de Janeiro, e por telefone, durante o abalo das ações —, Eike falou sobre as dúvidas que pairam sobre suas empresas e sobre os negócios que fez no passado.

“Todas as minhas companhias estão financiadas. Durante a minha carreira, assumi muitos riscos na hora de desenvolver projetos. O único que nunca assumi foi o risco financeiro de não poder executá-los.”

EXAME - Como o senhor avalia a queda brutal das ações de suas empresas na última semana de junho?

Eike Batista - Acho que houve uma desconexão entre o fato em si e a percepção do mercado. Nós anunciamos que, após os testes de longa duração, a vazão de cada um dos dois primeiros poços de petróleo da OGX será de 5 000 barris ao dia.

Esse, aliás, é um valor muito bom. Coloca esses poços entre os 100 melhores do Brasil. Acontece que o mercado esperava mais. É natural que nos penalizem quando um número vem menor. Só acho que exageraram na dose.

EXAME - Mas o mercado esperava mais porque a própria OGX estimou  e anunciou uma produção maior anteriormente, certo?

Eike Batista - Nós informamos apenas dados técnicos, conforme os testes eram realizados. Talvez tenha sido um erro estratégico dar informações nesse estágio. Poderíamos esperar para falar, por exemplo, quando estivéssemos em alta produção. Mas acho que o mercado não entendeu que esses dois primeiros poços não mudam em nada o planejamento da OGX.

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