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São Paulo - Os relatos da corrida do ouro, iniciada em 1848 nos Estados Unidos, revelam que os primeiros forasteiros que chegaram à Califórnia não foram os únicos que enriqueceram rapidamente. Os comerciantes de pás, enxadas e toda sorte de ferramentas usadas pelos garimpeiros também fizeram fortuna.
Não é exagero dizer que o Brasil vive, hoje, uma espécie de corrida do petróleo. A descoberta do pré-sal, em 2007, desencadeou a maior campanha exploratória de óleo e gás do mundo. A exemplo da conquista do Oeste americano, a nova fronteira de exploração de petróleo no Brasil também abre uma avenida de oportunidades para outras empresas além das petroleiras.
A Organização Nacional da Indústria do Petróleo estima que as petroleiras consumirão 400 bilhões de dólares em bens e serviços até o final da década. A combinação dessa demanda com a política de conteúdo local do governo — que exige que a maioria das compras das petroleiras seja feita no país — acabou originando um sem-número de parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras.
A iniciativa, na maioria dos casos, tem partido das brasileiras, interessadas em absorver novas tecnologias. No caso das empresas que já vendem para a Petrobras, a meta é se credenciar como fornecedora de sistemas mais sofisticados. A joint venture da Jaraguá Equipamentos, sediada em Sorocaba, no interior de São Paulo, com a holandesa Ascom BV é um bom exemplo do fenômeno em curso.
Há um ano e meio, o executivo Nasareno Neves, vice-presidente da empresa, tentava encontrar uma maneira de fabricar um novo sistema separador de óleo — um conjunto de equipamentos instalados em plataformas que funcionam como uma minirrefinaria, separando o óleo do gás, além da água e dos detritos que sobem dos poços.
A Jaraguá já era uma grande fornecedora da Petrobras, mas os separadores que a empresa produzia não eram adequados ao pré-sal. Preocupada em qualificar seus fornecedores, a própria Petrobras recomendou que a companhia holandesa fosse procurada. Apesar de relativamente pequena (com faturamento de cerca de um quarto da brasileira), a Ascom detinha a tecnologia.
O namoro entre as duas começou pelo telefone, avançou com visitas dos brasileiros à Holanda e de holandeses ao Brasil. Em janeiro, as duas criaram uma nova empresa, ainda sem nome, que produzirá os tais separadores no Brasil.
Casamentos como esse, apadrinhados ou não pela Petrobras, são cada vez mais comuns. Os noivos são movidos por diversos interesses. A finlandesa Wärtsilä, fornecedora de motores para os navios da subsidiária de logística da Petrobras, a Transpetro, já tinha uma relação mais antiga com a estatal brasileira Nuclep, fabricante de equipamentos para usinas de geração de energia.
Há dois anos, os finlandeses perceberam que teriam de fabricar os motores no Brasil para atender à lei de conteúdo nacional. Na busca por um parceiro, a Wärtsilä acabou unindo-se à Nuclep, que havia comprado o projeto de um motor de navio cargueiro da finlandesa em 2006.
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