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São Paulo - Não faltaram adversidades para as companhias globais nos últimos anos. Do congelamento do mercado de crédito, em 2008, à freada brusca da economia mundial logo em seguida, o contexto parecia desastroso para os negócios. Pode surpreender, portanto, o vigoroso ritmo da expansão das 50 maiores companhias do mundo.
Segundo a revista Fortune, a receita combinada desse grupo em 2010 cresceu 13%, quase o triplo do ritmo da evolução do PIB global. Cerca de 60% delas aumentaram o lucro. Também as 50 maiores empresas dos Estados Unidos superaram a média de crescimento do país: suas receitas aumentaram 9% no ano passado, enquanto o PIB americano avançou menos de 2%.
Falar em crise e oportunidade é um lugar-comum. Mas a verdade é que muitas empresas avançam em meio ao cenário adverso. Em tempos de desemprego em alta, por exemplo, é esperado que empresas de baixo custo se saiam bem — os pobres precisam manter um mínimo de consumo e os ricos são obrigados a rebaixar o padrão.
O sucesso da Kellogg durante a Grande Depressão virou um clássico. Em 1933, ano em que o PIB americano encolheu 1,5%, a empresa de alimentos viu seu faturamento crescer 30%. Muitas farmacêuticas também passaram por esse período sem abalos. Isso não mudou.
Um estudo da Universidade Stanford mostra que os consumidores, na crise, sentem menos remorso ao gastar com produtos farmacêuticos. O mesmo vale para os semiduráveis, como os eletrônicos. “O consumidor não deixa de se recompensar comprando produtos. Mas compra itens mais baratos”, diz o estudo dos professores Ivaylo Petev, Luigi Pistaferri e Itay Eksten.
O que chama a atenção na atual crise é que a boa fase das maiores empresas se vê nos mais diversos setores — do petroquímico ao varejista. É um padrão bem mais abrangente, portanto, do que o sugerido pelo estudo de Stanford. As 500 maiores americanas tiveram lucro de 825 bilhões de dólares em 2011 — um recorde histórico. Como elas conseguiram?
As duas principais estratégias foram aumentar a produtividade — uma ideia manjada, mas nem por isso de fácil execução — e ampliar a presença global. A rota para mercados em expansão representa uma saída para o baixo crescimento dos países ricos há mais de uma década.
De acordo com um estudo da Universidade Harvard, Brasil, Rússia, Índia e China receberam metade dos novos empregos criados por empresas americanas em suas subsidiárias de 1999 a 2009. Quando o mundo rico foi à lona em 2009 — e a economia americana encolheu 3,5% —, o movimento se intensificou.
“A presença global dessas companhias deu a elas a chance de priorizar mercados menos afetados”, afirma Mauro Guillen, diretor da escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia. Boa parte do crescimento das montadoras, por exemplo, vem de fora de suas matrizes.
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