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No Burger King, a cara do dono sempre foi uma imagem difusa. Criada há quase 60 anos por dois empreendedores da Flórida, sob o nome de Insta Burger King, a rede mudou de mãos no ano seguinte. Os novos donos eliminaram o “Insta” e iniciaram a expansão nacional — mas revenderam a rede oito anos depois.
Antecessor do 3G, o grupo de fundos TPG, Goldman Sachs Capital e Bain Capital também permaneceu apenas oito anos no controle. Na frenética sucessão, cada novo dono chegava com uma nova fórmula de sucesso.
Além de demonstrações quase alegóricas do estilo mão na massa, como fritar hambúrguer, os brasileiros logo mostraram a que vieram. Menos de um mês após a aquisição, as divisórias das salas dos diretores no 8o andar do prédio foram derrubadas. Restou apenas uma, usada como sala de reunião.
No caso dos diretores, os brasileiros do 3G foram implacáveis. Todos foram demitidos. O novo time passou a ocupar um único espaço, com um janelão voltado para a pista de pouso e decolagem do aeroporto internacional de Miami.
Em três meses, os demitidos somavam mais de 400 executivos na sede — a maior parte deles da área de tecnologia. Hoje, quatro dos oito andares do prédio estão completamente vazios.
As paredes do escritório foram tomadas por painéis eletrônicos com resultados colhidos diariamente. À vista de todos, mostram se os indicadores vão bem ou mal. Adesivos coloridos com as novas palavras de ordem — “meritocracia” e “eficiência” — tornaram-se onipresentes nos elevadores e corredores da empresa.
Ao aplicar o método do “orçamento base zero”, que compara gastos entre áreas da empresa para descobrir distorções e desperdícios, o Burger King cortou mais de 100 milhões de dólares em 2011. Em fevereiro, numa reunião com 600 executivos realizada em Miami, Hees anunciou uma etapa importante da nova fase.
Pela primeira vez a partir deste ano, cada um dos 800 principais executivos da rede no mundo passou a ter metas individuais. (Até o ano passado, apenas os 200 principais executivos recebiam metas próprias.)
No evento, Alexandre Behring, presidente do conselho do Burger King, chamou ao palco os 12 executivos com os melhores resultados — num sinal de aprovação explícita a que os executivos não estavam acostumados.
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