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Em 2011, o Burger King lucrou 110 milhões de dólares, 80% mais em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre deste ano, a rede teve lucro líquido de 25 milhões de dólares — e reverteu o prejuízo de 5,9 milhões de dólares registrado no mesmo período do ano passado. “O potencial de valorização ainda é enorme”, disse Ackman a EXAME.
O Burger King representa hoje o maior investimento internacional de Lemann, Telles e Sicupira depois da AB InBev, a maior cervejaria do mundo, com vendas de 39 bilhões de dólares em 2011. Trata-se também do passo mais ousado do até pouco tempo desconhecido fundo 3G Capital, a mais nova máquina de aquisições do trio. (Vale lembrar que a cervejaria não faz parte dos investimentos do 3G, e sim dos três separadamente.)
Sua origem está no fundo Synergy, criado em Nova York por Paulo Alberto Lemann, primogênito de Jorge Paulo, em 1997. Durante sete anos, o Synergy apenas comprava cotas em outros fundos. Em 2004, Alexandre Behring, antigo sócio dos empresários no fundo de private equity GP Investimentos, sugeriu transformá-lo numa base para arrematar participações em companhias americanas.
Em sintonia com a ambição internacional dos empresários, o projeto foi aceito. À frente do 3G, Behring logo procurou reproduzir em escala global o que fazia até então no GP — ganhar dinheiro ao revitalizar empresas fragilizadas pela má gestão. Em 2010, a oportunidade de comprar o Burger King, com presença em 80 países e rentabilidade em baixa, pareceu um prato cheio.
Até agora reclusos, os brasileiros do 3G não concederam entrevista sobre a reestruturação. Para reconstruir os bastidores, EXAME ouviu dezenas de executivos — muitos sob a condição de não aparecer na reportagem.
A tarefa de reverter os resultados do Burger King coube ao carioca Bernardo Hees. Aos 42 anos, ele já realizou algo semelhante ao lado de Behring na operadora logística ALL — um dos melhores investimentos do GP. Behring presidiu a ALL de 1997 a 2004, quando a rentabilidade cresceu 50% ao ano.
Nos seis anos seguintes, ele passou a presidente do conselho e Hees o sucedeu na presidência executiva. Nesse período, o valor das ações da ALL na Bovespa cresceu seis vezes. Em julho de 2010, a dupla iniciou uma nova fase, quando Behring convidou Hees para se tornar sócio do 3G Capital, com sede em Nova York (hoje Hees é membro do conselho da ALL).
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