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Miami - Numa sala com vista para o Central Park, no 42º andar de um prédio na Sétima Avenida, em Nova York, o megainvestidor americano Bill Ackman cumpre um ritual todas as terças-feiras. Ali ele discute com a equipe de seu fundo, o Pershing Square Capital Management, o destino dos 10 bilhões de dólares que administram.
No dia 20 de março, porém, ele abriu uma exceção. Trocou o encontro por uma viagem a Miami. O destino era o número 5505 da Blue Lagoon Drive, sede do Burger King, segunda maior rede de hambúrguer do mundo.
Durante 4 horas, percorreu o escritório, encontrou diretores e até deparou com a extravagante mascote da rede, o boneco de um rei com 2 metros de altura, paramentado com uma coroa dourada e um manto vermelho, ao lado da recepção. A visita selou um negócio anunciado duas semanas mais tarde — a compra de 29% da empresa por 1,4 bilhão de dólares.
O acordo prevê a volta do Burger King à bolsa até o início de julho, com um valor de mercado que pode chegar a 6 bilhões de dólares — mais do que o dobro do registrado em setembro de 2010, quando o fundo 3G Capital, dos empresários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, comprou 100% das ações e fechou o capital da companhia.
Para os sócios brasileiros, o desfecho foi bem lucrativo — graças a uma manobra financeira realizada quando compraram o Burger King. Naquele momento, em vez de arcar com os 4 bilhões de dólares acertados para a aquisição, eles pagaram apenas 1,2 bilhão do próprio bolso — o restante foi captado com bancos e convertido em dívida da companhia.
Assim, com a venda da parcela minoritária, eles recuperaram com folga o investimento realizado para levar a totalidade das ações e, de quebra, mantiveram o controle, com 71% de participação. Em outras palavras, a operação quadruplicou o valor inicialmente aplicado pelo fundo.
É um retorno e tanto para uma reestruturação que dura pouco mais de um ano e meio. Nesse período, o Burger King se tornou o mais novo laboratório do estilo de fazer negócios dos sócios, conhecidos pela obsessiva disciplina financeira. Embora a empresa ainda não tenha voltado a crescer, os resultados aparecem na última linha do balanço.
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