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Nas outras 19 categorias, há um misto de problemas: ou as empresas locais têm preços muito acima das concorrentes estrangeiras, ou não conseguem entregar no prazo, ou, ainda, não têm capacitação para atender às exigências de qualidade. O estudo também mostra que, apesar do custo do minério de ferro ser baixo no Brasil, o preço do aço nacional é cerca de 30% mais caro que o importado.
E as siderúrgicas instaladas aqui quase não produzem aços especiais, insumo crítico para a operação no pré-sal, onde os equipamentos são submetidos a níveis severos de corrosão e, por isso, têm de ser feitos com ligas mais resistentes.
Por isso, sobram dúvidas quanto ao ritmo da produção brasileira. Segundo os prognósticos, o Brasil vai aumentar muito o volume de petróleo retirado do mar. Mas há enorme diferença entre as previsões, dependendo das políticas adotadas. A consultoria McKinsey, por exemplo, traçou dois cenários de produção para a Petrobras.
No cenário em que o governo mantém inalteradas as exigências atuais de conteúdo local, a produção alcança 4,4 milhões de barris ao dia em 2020. A projeção do banco Credit Suisse é mais pessimista: 4,1 milhões de barris, 21% abaixo da meta já reduzida anunciada por Graça Foster.
“A Petrobras tem um histórico excelente, mas terá muita dificuldade para alcançar suas metas se as regras não forem flexibilizadas”, afirma Aris Tsikouras, da McKinsey. No cenário alternativo da consultoria, a Petrobras chega a 5,4 milhões de barris ao dia no final da década — caso o governo altere a política de nacionalização.
A própria Petrobras já sentiu na pele as dificuldades da indústria local em suprir os equipamentos de que precisa. O Estaleiro Atlântico Sul, instalado em Pernambuco, é uma amarga prova disso. Criado em 2005 pelas brasileiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão e pela coreana Samsung Heavy Industries, o estaleiro foi idealizado para ser uma referência da construção naval no hemisfério sul.
A Transpetro, braço de logística da Petrobras, entrou com as encomendas — nada menos que 22 petroleiros — e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou a maior parte do investimento, 1,3 bilhão de reais. Na prática, porém, o Atlântico Sul se transformou em fonte de atrasos e vexames.
O primeiro navio, batizado de João Cândido, deveria ser entregue em setembro de 2010, mas foi ao mar em maio deste ano com quase dois anos de atraso. A embarcação virou piada no meio naval. Foi chamada de “navio Suflair, o único com o casco aerado”, por causa dos defeitos de solda.
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