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No período de 2012 a 2016, os investimentos em exploração e produção aumentaram 11%, para 142 bilhões de dólares. A meta de produção doméstica para 2020, entretanto, caiu de 6 milhões de barris diários para 5,2 milhões.
Pode parecer pouco, mas o corte de 800 000 barris ao dia representa quase 30 bilhões de dólares a menos no faturamento anual da petroleira. Por isso mesmo, no dia seguinte ao anúncio do plano, a empresa perdeu 10 bilhões de dólares em valor de mercado.
Remédio ou veneno?
A Petrobras representa bem o atual dilema brasileiro nesse setor. De um lado, as oportunidades de atuação da empresa parecem quase infinitas. De outro, o excesso de coisas a fazer começa a virar contra ela — como reconheceu de maneira implícita o próprio plano recém-anunciado.
A Petrobras tem como meta construir, até 2020, um enorme parque produtivo. Só em plataformas marítimas, passará das atuais 45 para 94. Sua frota de petroleiros quase triplicará, para 120 navios. O desafio é enorme. Nunca no mundo uma empresa do setor construiu uma estrutura tão gigantesca em tão pouco tempo.
A tarefa já seria difícil por si só. Mas, desde 2003, o governo resolveu adotar uma política conhecida como lei de conteúdo local, que complicou o quadro. Trata-se de um conjunto de regras que obriga as petroleiras a contratar no país a maior parte de equipamentos e serviços (entre 55% e 65% do total).
O objetivo — louvável — é fortalecer a indústria local. Muitas vezes, porém, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose. Na prática, está ficando claro que as metas parecem inatingíveis. Hoje, já se sabe que a cadeia de suprimentos instalada no país não tem capacidade de atender à demanda da Petrobras, e menos ainda das demais operadoras.
Um estudo realizado pelo Instituto de Economia da UFRJ — contratado pelo próprio governo — mostrou que a indústria local só tem capacidade de atender à necessidade das petroleiras em cinco das 24 categorias de equipamentos considerados críticos para a área de exploração e produção.
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