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Tudo em torno dele impressiona pela magnitude. São 270 bilhões de dólares de investimentos previstos até o fim da década. O setor de óleo e gás, que já representa 10% do produto interno bruto do país, deve passar a 20%. É, de longe, o mais pujante do país, especialmente num momento de franca desaceleração econômica.
Estima-se que 2 milhões de empregos serão criados na cadeia do petróleo até 2020 — empregos que requerem todos os níveis de educação, do fundamental aos pós-doutores, acostumados a trabalhar nas fronteiras da tecnologia. A escala de produção que o Brasil pode alcançar abre uma infinidade de negócios para empresas de quase todos os tipos e tamanhos.
“A cadeia de petróleo é potencialmente a mais longa da economia. Vai do aço, usado na construção de navios, ao arroz e feijão servidos nas plataformas, que trabalham 24 horas por dia e 365 dias por ano”, afirma Adilson Oliveira, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador de um estudo que analisou a competitividade e a capacidade produtiva da cadeia de fornecedores do setor. “O pré-sal pode colocar o Brasil num novo patamar econômico, social, geopolítico e tecnológico.”
Segundo Oliveira, além de negócios e novas tecnologias, o pré-sal vai gerar uma dose cavalar de arrecadação, que pode facilitar a tão sonhada reforma tributária.
E, ao ganhar importância como fornecedor de um recurso cobiçado globalmente, o país também deve ganhar relevância geopolítica. Se a ascensão do Brasil no mundo já vinha se materializando, tornou-se muito mais palpável com o impulso do pré-sal.
Todo projeto de grande magnitude necessariamente se desdobra em diversas fases. Na fase 1, a de descoberta e avaliação das reservas do fundo do mar, pode-se dizer que o país passou bem pelo teste.
Neste momento estamos em plena fase 2, menos glamourosa e potencialmente mais problemática: a construção da cadeia de empresas que vai sustentar a exploração e a comercialização do pré-sal. O epicentro da cadeia, claro, é a Petrobras. E é aí que a estatal está patinando.
O plano de atuação traçado nessa segunda fase por Maria das Graças Foster, que assumiu a empresa em fevereiro, será decisivo para milhares de empresas que esperam fazer parte do ecossistema em formação. Anunciado há poucos dias, o novo plano quinquenal de negócios da Petrobras trouxe um certo choque de realidade à empresa.
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