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Berlim - No domingo 17 de junho, dia de jogos da Eurocopa, torneio de futebol que reúne as seleções europeias, novidades sobre as eleições na Grécia não paravam de inundar o noticiário alemão. No centro de Berlim, em frente ao portão de Brandemburgo, uma multidão se reuniu para ver, num telão, a Alemanha jogar contra a Dinamarca.
Antes da partida e no intervalo, o que se via não eram flashes diretamente do campo, como de costume, mas informações ao vivo de Atenas. Para os alemães presentes no local, esses momentos eram como sinais de que havia chegado a hora de buscar outra cerveja. A cúpula do governo alemão, por sua vez, acompanhava as prévias gregas com toda a atenção.
Uma eventual consagração do partido Coalizão de Esquerda Radical, conhecido pela sigla Syriza e contrário às políticas de austeridades, poderia levar o caos aos mercados e fazer a Grécia sair da zona do euro.
Ao fim, a seleção alemã bateu a Dinamarca, os torcedores foram contentes para casa, o conservador Antonis Samaras, do partido Nova Democracia, venceu as eleições gregas e os líderes europeus respiraram mais aliviados.
O triste na situação atual é que, mesmo com o resultado do pleito, as visões sobre o futuro da moeda comum continuam apocalípticas. O fato de o governo espanhol ter sido forçado a pagar juros de 7,1% nos seus títulos de longo prazo no dia seguinte às eleições gregas — o nível que levou Irlanda, Portugal e a própria Grécia à lona — mostrou que o alívio pela vitória da centro-direita, na verdade, não passou de um breve respiro.
Como tem sido comum nestes últimos meses, a cada novo passo em falso da moeda única, o mundo clama por uma liderança firme da Alemanha, a maior economia da Europa. No centro das atenções está Angela Merkel — sempre Merkel. Espera-se nada menos do que um plano assertivo para atacar uma crise que se estende, na conta de quase todos os cronômetros, por tempo demais.
Para os alemães, porém, os ponteiros do relógio parecem girar em ritmo mais lento. Nesse sentido, os torcedores que foram ao centro de Berlim ver o jogo no domingo e preferiram beber a acompanhar o noticiário não são exceção. Embora o euro esteja sempre na pauta do dia, parece difícil para os alemães entender de que maneira o tal clima de fim de mundo tem alguma coisa a ver com eles.
Semanas antes das eleições na Grécia, a revista semanal Der Spiegel contabilizou ter mandado para a gráfica 17 matérias de capa sobre a crise nos últimos dois anos.
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