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E a expansão do consumo esfriou. Em 2011, a Ambev vendeu apenas 0,1% litro a mais que em 2010. “Na próxima década, a empresa terá de se contentar em crescer menos”, diz o analista Alan Alanis, do banco americano JP Morgan.
Uma das poucas exceções é o Nordeste, onde o consumo de cerveja ainda é de 54 litros por pessoa, mas que é alvo também de Heineken, Petrópolis e Schin — esta, dona da marca líder da região, a Nova Schin.
Silêncio
Mesmo que não consiga aumentar as vendas em um único litro, a empresa não está enrascada. Num cenário de menos expansão, a Ambev dos próximos anos se parecerá mais com uma companhia de tabaco do que com a cervejaria que cresceu tanto na última década. As fabricantes de cigarro são mestres em aumentar os lucros em mercados estagnados.
É o caso da americana Philip Morris, dona da marca Marlboro, cujo valor cresceu seis vezes em 20 anos sem vender um cigarro a mais. Na brasileira Souza Cruz, as vendas cresceram apenas 13% desde 2007, mas o lucro aumentou 60%.
A Ambev já está nesse caminho: em 2011, a quantidade de cerveja vendida no Brasil não cresceu, mas o preço médio do litro subiu 10% — impulsionado pelas marcas mais caras, como Stella Artois e Budweiser. Aumentar a participação delas, hoje em torno de 5% das vendas, é fundamental para o lucro e o valor de mercado continuarem a crescer.
Mas a Ambev vai precisar fazer tudo isso em silêncio. Quanto maior e mais eficiente a empresa fica, mais holofotes atrai. Em maio, o governo brasileiro anunciou um aumento de impostos sobre as cervejarias que pode inflar em 4% o preço da bebida no país. As ações logo sentiram o baque e caíram 7% em três dias.
No Brasil dos últimos anos, empresas que dão certo demais acabam entrando na mira do governo. Foi assim com a Vale e a Petrobras, tem sido assim com os bancos. Procurada por EXAME, a Ambev não quis falar sobre o que a levou ao posto de maior empresa privada do Brasil. Sua postura parece querer dizer: somos a maior, mas não conte para ninguém, por favor.
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