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São Paulo - Por boa parte da última década, foi falado e repetido que o mundo vivia um “superciclo” das commodities. Segundo os defensores da tese, o crescimento da China aumentaria exponencialmente a demanda por matérias-primas — beneficiando, por consequência, quem investisse nas empresas produtoras dessas commodities.
No caso brasileiro, foi a senha para que milhares de pessoas se tornassem acionistas da Vale, que se consolidou como a maior empresa privada do país. O que ninguém percebeu foi que, nesse mesmo período, o Brasil passou por um fenômeno ainda mais impressionante — algo que pode ser apelidado de “superciclo do chope”.
Talvez seja a única forma de descrever o que aconteceu nos últimos dez anos com a cervejaria Ambev — controlada pelos empresários Marcel Telles, Beto Sicupira e Jorge Paulo Lemann, os mesmos que controlam o Burger King. No período, as ações da empresa valorizaram 1 100%.
E, no dia 14 de março, a Ambev passou a Vale em valor de mercado e se tornou a maior empresa privada do Brasil (a Petrobras, controlada pelo governo, não entra na lista). No fechamento desta edição, a cervejaria valia 14 bilhões de reais a mais do que a mineradora. É possível crescer mais? Ou é o auge do superciclo do chope?
A liderança pode até ser passageira, mas é, de qualquer forma, um feito histórico. A receita anual da Ambev, de 27 bilhões de reais, equivale a 26% da receita da Vale, de 103 bilhões. Há apenas dois anos, a mineradora valia 2,5 vezes mais que a cervejaria.
É raro ver uma empresa de consumo como a mais valiosa em qualquer economia. Esse posto é tradicionalmente reservado às petroleiras, às mineradoras, aos bancos. A exceção mais notável é a Apple. Avaliada em 543 bilhões de dólares, ela é a maior empresa dos Estados Unidos graças a uma combinação de eficiência e inovação com resistência.
A Ambev tem um pouco disso tudo. Desde 2002, seu lucro foi multiplicado por 6. As vendas, por 4. Nos últimos 12 meses, enquanto as ações das dez maiores empresas de Brasil, Rússia, Índia e China apanharam, os papéis da Ambev subiram 15%. Nos últimos meses, a Ambev chegou a valer mais até do que sua controladora, a AB Inbev — que fatura três vezes mais.
Há duas explicações para a incrível valorização da empresa. A primeira é interna. A Ambev é a cervejaria mais eficiente do mundo. Para cada real que entra da venda, 48 centavos são lucro puro — margem um pouco menor que a de um iPhone, produto um tanto mais inovador que uma latinha de Skol.
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