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Petroquímica | 25/06/2012 05:55

Muito poder, pouco dinheiro na Braskem

A Braskem não tem concorrentes locais e cobra mais caro por seus produtos. Mas os resultados decepcionam e as ações despencam. O que há de errado com a maior petroquímica do país?

Daniel Leb Sasaki, de

Mirian Fichtner

Fábrica da Braskem

Fábrica da Braskem: prejuízo nos últimos 12 meses e pressão para mudar sua produção

São Paulo - Pode até pegar mal admitir, mas todo empresário sonha, mesmo que secretamente, em transformar seu negócio num monopólio. A vida vira uma alegria — cobra-se mais, sobra dinheiro no fim do mês, dorme-se melhor à noite e por aí vai. Em janeiro de 2010, a petroquímica brasileira Braskem chegou perto de se transformar num monopólio.

Controlada por Odebrecht e Petrobras, a empresa comprou a concorrente, a Quattor, e se tornou a única companhia brasileira a vender as principais matérias-primas para as fabricantes de plásticos do país. Com a compra, o faturamento anual da empresa soma 33 bilhões de reais.

Os órgãos de defesa da concorrência aprovaram a aquisição entendendo que o setor dependia de escala para competir com as grandes companhias estrangeiras. Passados dois anos e meio, porém, esse poder todo não vem se transformando em lucros de dar inveja, muito pelo contrário — e, como era de esperar, tamanha concentração nas mãos de uma empresa está gerando um tremendo mal-estar no setor. 

Principalmente, a vida dos acionistas da Braskem está longe de ser alegre. No último ano, as ações da maior petroquímica brasileira caíram quase 50% na Bovespa. Depois de alcançar um lucro de 1,9 bilhão de reais em 2010, a empresa teve prejuízo de 675 milhões de reais nos 12 meses acumulados até março deste ano.

O que está acontecendo com a Braskem? Por um lado, a união com a Quattor rendeu tudo o que se poderia esperar: de fato, nasceu ali um dos mercados mais concentrados do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, há cerca de 30 petroquímicas que produzem resinas plásticas e a maior, a Exxon, tem menos de 15% de participação de mercado.

No Brasil, a Braskem tem 68% do mercado, e nos seus principais segmentos só concorre com empresas estrangeiras que exportam para o Brasil. Segundo a clientela da Braskem, a união com a Quattor, como era de esperar, distorceu os preços no setor.

O preço médio das resinas subiu 18% no Brasil desde janeiro de 2010, enquanto caiu ou subiu de forma modesta no mercado internacional, segundo um recém-concluído relatório da Abiplast, entidade que reúne os fabricantes de plásticos, ao qual EXAME teve acesso. De novo, é algo até certo ponto natural num mercado tão concentrado.

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