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Bancos | 02/07/2012 05:55

Bancos médios procuram um modelo para voltar a crescer

Os bancos médios buscam uma fórmula para voltar a crescer — e sair da sombra deixada pelas fraudes que destruíram o PanAmericano e o Cruzeiro do Sul

As comissões pagas aos pastinhas, nesse novo cenário, estão aumentando: há quem cobre até 25% do valor do crédito (no passado, não passava de 10%). Custa caro e, para os bancos, não há nenhuma garantia de fidelidade. É comum que os pastinhas tentem roubar os clientes que já tomaram empréstimos em outros bancos, oferecendo juros menores.

“O pastinha é pago assim que o crédito é concedido, então o banco que fez o empréstimo perde o cliente e o valor da comissão”, diz Érico Ferreira, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito. Assim, é natural que os resultados desses bancos tenham piorado. A rentabilidade do Bonsucesso, um dos líderes em consignado, caiu 61% em 2011.

O Fibra, que é controlado pelo grupo Vicunha e há dois anos comprou a operação de consignado do Sofisa, teve prejuízo de 83 milhões de reais. O Rural também fechou o ano no vermelho e decidiu encerrar as operações de consignado. 

Como enfrentar essa nova fase? Que modelo sustentará os bancos médios? As respostas estão em aberto, mas já dá para vislumbrar o que não fazer. De forma geral, os bancos estão substituindo os empréstimos consignados por linhas de financiamento a pequenas e médias empresas, um nicho, por enquanto, menos concorrido.

Bancos especializados nesse segmento, como Daycoval, Indusval e Pine, conseguiram melhorar seus retornos em 2011. Para as instituições que ainda operam com o consignado, uma medida do Banco Central pode ajudar a desanuviar o ambiente. O governo está criando uma “central de crédito” — banco de dados que reúne os empréstimos feitos pelos bancos médios.

O objetivo é permitir que instituições interessadas em comprar esses créditos saibam exatamente o que está ocorrendo com eles — uma forma de mostrar ao mercado quem está fazendo as coisas direito. Mesmo assim, há forças que atuam em sentido contrário. A principal é a queda dos juros, que forçará os bancões a vasculhar o mercado em busca de clientes.

A concorrência fatalmente chegará às pequenas empresas. Quem encontrar um novo modelo agora estará mais bem preparado para o acirramento da competição que vem aí.

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