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São Paulo - "— Vamos colocar o plano em prática e aumentar a exposição.
— Beijo, te cuida, e quero ver o milagre da multiplicação das ações."
As mensagens acima foram trocadas em fevereiro de 2011, por e-mail, entre Rafael Ferri, fundador de uma empresa de investimento de Porto Alegre, a Quantix, e a jornalista Ana Borges, sócia da agência de comunicação Compliance.
O plano mencionado por Ana resultou, realmente, na incrível multiplicação do preço das ações da Mundial, uma fabricante paulista de válvulas, talheres, alicates e produtos de beleza.
Segundo uma recém-concluída investigação da Polícia Federal (PF), aquela troca de e-mails deu origem a uma das maiores fraudes do mercado brasileiro de capitais: a manipulação do preço das ações da Mundial no ano passado. EXAME teve acesso ao relatório que a PF concluiu no fim de maio deste ano sobre o caso.
Os policiais acusam Ana e Ferri, além de Michael Lenn Ceitlin, presidente da Mundial, e Pedro Barin Calvete, um profissional de investimento de Porto Alegre, de formação de quadrilha e manipulação de mercado. Ferri e Ceitlin também são acusados de uso indevido de informações privilegiadas.
Segundo o inquérito da PF, o esquema tinha como objetivo valorizar artificialmente as ações da Mundial. Antes da fraude, a empresa era inexpressiva na Bovespa. Seu valor de mercado não passava de 80 milhões de reais, o que fazia dela uma das 90 menores empresas da bolsa.
Além disso, seus papéis valiam centavos, não eram acompanhados por quase nenhuma corretora e recebiam pouquíssimas ordens de compra e venda. Depois da atuação deles, essa história mudou. Em junho do ano passado, por exemplo, o volume de negócios com as ações da Mundial superou o de Petrobras, OGX e Itaú.
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