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São Paulo - Diz a lenda que, prestes a assumir o comando do Partido Comunista Soviético, Leonid Brejnev recebeu três envelopes de seu antecessor, Nikita Kruschev — cuja recomendação foi que abrisse um deles a cada crise que viesse. Um tempo depois, lá veio o primeiro dissabor.
Brejnev abriu o envelope, que tinha a seguinte mensagem: “Bote a culpa em mim”. Após alguns anos, veio mais uma crise, e o segundo envelope foi rasgado. “Bote a culpa em mim de novo.”
Não tardou a vir outra ameaça a seu cargo, e Brejnev teve de lançar mão, mais uma vez, da sapiência de Kruschev. “Prepare três envelopes”, era a sentença. O apelo quase universal da história — que já foi contada tendo como protagonistas os personagens mais diversos — é fácil de entender.
É um princípio básico da política que, enquanto for possível, o ocupante de um cargo atribuirá toda sorte de problemas à herança deixada por quem veio antes.
E não apenas por senso de sobrevivência, mas porque, muitas vezes, é nas horas de crise que um governante tem espaço para imprimir sua marca, destacar-se de quem o antecedeu, dar ao país uma nova cara. Infelizmente, tem sido diferente no Brasil.
Após crescer 40% entre 2004 e 2011, a economia brasileira vem dando alarmantes sinais de fadiga de material. Em junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou os dados referentes ao desempenho da economia no primeiro trimestre do ano. O resultado assustou.
O país cresceu 0,2% em relação ao último trimestre de 2011 e mísero 1,9% nos últimos 12 meses. A desaceleração da economia é impressionante. Um ano e meio atrás, crescíamos a um ritmo anualizado de 7,5%, uma taxa não distante da chinesa. Disso ao quase-traço do primeiro trimestre é mesmo razão para acender a luz amarela.
Segundo 50 economistas e empresários ouvidos por EXAME nas últimas duas semanas, o país precisa, urgentemente, de uma nova fórmula para voltar a crescer. De acordo com a média das previsões de mercado, o PIB crescerá 2,5% em 2012. No ano passado, a expansão foi de 2,7%.
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