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A sala de monitoramento do INSS: dados acham até vazamento de água nas agências do órgão
São Paulo - Por muitos anos, o instituto nacional do Seguro Social (INSS) foi uma espécie de porta-bandeira da ineficiência governamental. As filas na porta das agências do órgão eram o exemplo máximo desse título nada honroso.
Como um simples pedido de perícia médica podia levar um dia inteiro, as filas começavam de madrugada — o que criou a bizarra profissão de “fileiro”, exercida por desempregados que cobravam até 10 reais para guardar lugar para quem não queria chegar à agência às 4 horas da manhã.
As filas começaram a sumir quando o INSS instituiu uma ferramenta tão banal quanto eficaz: o agendamento por telefone dos atendimentos. Agora, outra iniciativa mostra como é possível injetar eficiência no setor público sem grandes pirotecnias. É a sala de monitoramento do INSS, uma espécie de Big Brother dos serviços prestados pelo órgão.
De uma central na sede do instituto, em Brasília, é possível saber quanto tempo uma pessoa espera para ser atendida em uma dada agência, quanto demora o atendimento no balcão ou qual o serviço mais solicitado. Resultado: a concessão de uma aposentadoria, um dos serviços mais procurados, que levava pelo menos seis meses, hoje pode ser feita em 30 minutos.
A sala de monitoramento teve custo zero. Técnicos do próprio INSS desenvolveram o sistema — um similar de uma empresa privada poderia custar até 120 milhões de reais por mês aos cofres públicos — e os monitores utilizados foram retirados de outras salas do órgão.
Essa infraestrutura caseira recebe os dados online enviados automaticamente pelas 1 288 agências do INSS espalhadas pelo país. As informações se transformam em gráficos e tabelas nos computadores dos técnicos responsáveis pelo monitoramento. É assim que o governo sabe hoje, com precisão, que auxílio-doença é o serviço mais requisitado ao INSS (60% do total de atendimentos).
Isso põe às claras a necessidade de contratação de médicos peritos mais do que de qualquer outro profissional — faltam pelo menos 1 500 médicos no país, segundo a Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência. E foi assim que as filas nas agências acabaram de vez.
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