Aguarde...
EmpreendedorismoO fã paga, eles ganham
VarejoNada como dar lucro...
EconomiaOs lucros sob pressão
AutomóveisCarro, um ícone na berlinda
PolíticaA negação dos valores
TreinamentoFaca na caveira...
Sete Perguntas“O poder dos chineses não é tão grande assim”
VendasSonho movido a camu-camu na Monavie
BancosFamília vende tudo
EuropaA invasão chinesa na Europa
Praticamente passei o dia lá. Ele reuniu diretores, mostrou relatórios e resultados. Tive surpresas positivas. Não vi sofás luxuosos para receber políticos. Vi que a Delta é uma empresa de engenheiros, não de lobistas. Investe nos funcionários. Tem gente lá com 15, 20 anos de casa.
Me apresentaram uma operação enxuta e descentralizada. Voltei de lá com uma boa impressão. Nos encontramos outra vez em São Paulo, naquela mesma semana. Ele almoçou lá em casa. Foi quando começamos a acertar as bases do acordo.
EXAME - E quais são essas bases?
Joesley Batista - A Delta é controlada por dois fundos, dos quais Fernando é um dos cotistas. Falei para ele: podemos nos tornar o gestor dos fundos e eu, como gestor, passo a eleger os integrantes da empresa. Alguém precisa gerenciar o negócio. Há 200 obras em andamento e 30 000 funcionários trabalhando, mas a empresa ficou acéfala.
O Fernando virou um ser sozinho sobre a Terra. Nenhum banco ou político quer falar com ele. E o Fernando entendeu que era impossível tocar a empresa. Que precisa passar para alguém. Teve uma atitude que poucos empresários têm. Normalmente é difícil convencer o dono a sair quando o problema é ele.
EXAME - Cavendish não consegue gerenciá-la porque ele e a empresa perderam credibilidade num escândalo. Não o preocupa assumir uma empresa nessa condição?
Joesley Batista - Acreditei na explicação do Fernando, de que o problema ocorreu apenas numa regional, com um ex-diretor que tinha relações com um sujeito investigado pela Justiça (referindo-se a Carlos Augusto de Almeida Ramos, o bicheiro Carlinhos Cachoeira). Esse sujeito era validado por um senador.
Se um dos maiores amigos dele era o senador Demóstenes Torres, quem poderia duvidar dele? Goiás, onde tudo ocorreu, é 10% do negócio da Delta. Mas eu não quero ser dono de um problema. Não comprei a empresa. Primeiro, nós vamos passar a Delta a limpo. Até porque não sei o que podemos encontrar lá dentro.
Estou cercado dos melhores profissionais para fazer esse trabalho (no fechamento desta edição, a KPMG tinha dez auditores na empresa e esperava concluir o primeiro relatório em 30 dias). Acho ótimo que o governo e o Ministério Público façam o mesmo.
Copyright © Editora Abril - Todos os direitos reservados