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Nova York - Até pouco tempo atrás, Jamie Dimon, presidente do JP Morgan Chase, era considerado uma rara exceção entre seus pares em Wall Street — algo que hoje soa como um elogio. À frente do banco desde 2007, ele passou à margem da lista de algozes da crise.
No auge da turbulência, em 2009, o JP Morgan foi um dos bancos menos afetados e, mais tarde, o primeiro a devolver a bolada do resgate do governo americano. Bastaram poucas horas, no entanto, para acabar com anos de convivência relativamente pacífica com os acionistas.
No dia 10 de maio, Dimon — até recentemente chamado de “último homem de pé” no mercado financeiro americano — anunciou perdas de mais de 2 bilhões de dólares em operações, segundo ele mesmo, “grosseiramente equivocadas”. Imediatamente, grupos minoritários se manifestaram e pediram a cabeça de executivos envolvidos e medidas de controle mais rígidas.
Um dia antes do encontro de acionistas, na Flórida, a companhia anunciou a demissão de Ina Drew, diretora de investimento do banco. Cobranças de novas medidas continuaram durante a reunião, como a revisão dos bônus pagos a executivos envolvidos com as perdas.
Não bastasse a patrulha dos minoritários, o banco passou a ser investigado em três instâncias — pela SEC, a agência reguladora do mercado de capitais americano, pelo Federal Reserve, o banco central americano, e até pelo FBI.
Embates entre executivos e acionistas hoje fazem parte do dia a dia de uma série de empresas americanas e europeias. Em casos mais extremos, a pressão de minoritários furiosos, pelos mais variados motivos, chegou a culminar na demissão de seus respectivos presidentes, como na seguradora britânica Aviva e na empresa de internet Yahoo!
Mesmo quando a maioria parece satisfeita, o barulho aumenta — e muito. É o caso do Bank of America, em que 92% dos acionistas aprovaram o pacote de remuneração de 7 milhões de dólares para o presidente, Brian Moynihan. Ainda assim, a pequena parcela de insatisfeitos protestou aos berros dentro e fora do local da reunião, realizada em maio.
“Os acionistas não querem se intrometer no dia a dia, e sim acompanhar eventuais deslizes e cobrar medidas imediatas”, diz Sarah Wilson, presidente da Manifest, empresa especializada na representação de acionistas, com sede em Londres.
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