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São Paulo - Comprar um imóvel é um dos ritos de passagem para a vida adulta. As pessoas casam e sonham com a aquisição de uma casa para ter uma base sólida e criar os filhos. Nos últimos seis anos, com o destravamento do crédito imobiliário, cerca de 1 milhão de famílias brasileiras conseguiram realizar esse sonho.
Como as incorporadoras passaram a lançar prédios e loteamentos cada vez mais luxuosos e confortáveis, intensificou-se o costume de medir o status social de uma pessoa com base no número de metros quadrados e na localização do imóvel em que mora. À medida que o tempo foi passando, o aumento da demanda começou a elevar os preços num ritmo alucinante.
Em 2009, a alta no valor dos imóveis no país foi de 22%, a terceira maior do mundo. Na época, não faltaram previsões de que não havia espaço para mais aumentos. Veio 2010, a valorização chegou a 25% e o Brasil ficou com o primeiro lugar no ranking das maiores altas.
Nesse processo, o mercado imobiliário brasileiro se tornou o mais caro da América Latina. Quem comprou sua casa antes do boom viu seu patrimônio dar um salto.
E milhões se sentiram deixados para trás — gente cuja renda e capacidade de endividamento não aumentaram na mesma velocidade dos preços ou, ainda mais frustrante, pessoas que pensaram demais e acabaram atropeladas pela avalanche.
Impedidas de realizar o projeto da casa própria até agora, os “perdedores” da recente expansão imobiliária pareciam fadados a comprar algo aquém do plano inicial — ou condenados ao aluguel. A boa-nova: o filme ainda pode ter final feliz.
A pedido de EXAME, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, órgão ligado à Universidade de São Paulo, realizou a mais ampla pesquisa já feita sobre o mercado imobiliário brasileiro. Os técnicos da Fipe analisaram os preços de imóveis em 40 cidades mais o Distrito Federal — que, juntos, contam com 50 milhões de pessoas e representam um quarto da população brasileira.
Trata-se, sem meias palavras, de um esforço inédito no país para conhecer a realidade de um dos setores mais importantes de qualquer economia. No seu conjunto, a pesquisa mostra um vigor impressionante do mercado brasileiro.
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