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O que distribuição de gás tem a ver com transporte de cargas? Para rebater as críticas, os executivos da Cosan gostam de citar o exemplo da Rumo Logística, empresa criada em 2009. Ometto investiu 1,3 bilhão de reais na compra de 72 locomotivas, 800 vagões e na duplicação de trechos de ferrovia próximas a Santos para criar a Rumo.
O investimento fez bem à produtividade dos negócios de açúcar da empresa: a operação de descarregamento de um vagão no porto de Santos, que levava 45 minutos, passou a ser feita em 40 segundos após a criação da Rumo. O empresário afirma que qualquer empresa que opere nos mercados de seu interesse estará na mira para, ao fim do processo, criar seu conglomerado de energia limpa e logística.
O estilo “vamos que vamos” de Ometto deu certo no setor de açúcar e álcool. Dará certo na nova fase? Não se sabe, mas, desta vez, ele começa com o benefício da dúvida.
Cinco anos atrás, a onda de investimentos de Rubens Ometto em qualquer coisa que não fosse ligada à cana-de-açúcar seria impensável. O Brasil vivia, afinal, o auge da euforia em torno do etanol — tratado por Brasília como a grande vocação econômica do país, destinado que estava a abastecer de energia limpa um mundo viciado em petróleo.
Três empresas do setor abriram o capital na Bolsa de Valores de São Paulo. No auge, em 2008, os investimentos na construção de novas usinas chegaram a 10 bilhões de dólares. Foi quando a promessa do etanol atraiu grandes nomes do capitalismo mundial, como o investidor George Soros e o fundador da AOL, Steve Case.
No campo, a imagem dos usineiros era lustrada por uma notável modernização, que substituiu boias-frias por máquinas, dinheiro do governo por dinheiro privado, chororô por crescimento.
A velha cana-de-açúcar, trazida ao Brasil por Martim Afonso de Souza há quase 500 anos, simbolizava um novo país, verde e moderno (o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, numa passagem famosa, que os usineiros passaram de “bandidos a heróis mundiais” e que os que criticavam o etanol tinham suas mãos “sujas de petróleo”).
Ometto esteve à frente desse processo. A abertura de capital da Cosan, em 2005, foi um marco na história do setor. Sua busca por escala levou às usinas uma eficiência sem paralelos num setor carcomido por anos de administração rudimentar.
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