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Infraestrutura | 16/05/2012 08:00

A ferrovia que está a cem anos no gargalo

Passado um século da inauguração da fracassada ferrovia Madeira-Mamoré, Rondônia — e parte de Mato Grosso — ainda sofre para escoar suas riquezas

Wikimedia Commons

Autoridades em inauguração de trecho da ferrovia Madeira-Mamoré em 1912

A Madeira-Mamoré em operação: o sonho de explorar a borracha acabou em pesadelo

Porto Velho - Em 1907, a borracha dos seringais da região Norte era uma das grandes riquezas do Brasil, um país que, para os olhos do americano Percival Farquhar, era tão gigante quanto desconhecido. A despeito dos desafios assustadores de fazer negócios em um território inóspito mesmo para os brasileiros, Farquhar lançou-se na aventura de construir uma ferrovia na floresta Amazônica para exportar a borracha do Norte.

Faz exatamente 100 anos que essa ferrovia, a Madeira-Mamoré — entre Guajará-Mirim e Porto Velho, no atual estado de Rondônia —, foi concluída. Com seus vários projetos, o empreendedor serial Farquhar — responsável pelo nascimento da Acesita, da companhia energética Light e do sistema de bondes do Rio de Janeiro — acreditava que acordaria o Brasil para o desenvolvimento.

Mas, passado um século da fracassada construção da Madeira-Mamoré, a mais emblemática de suas iniciativas, o americano, se vivo estivesse, poderia atestar: em certos aspectos, a infraestrutura logística ainda desespera quem se dispõe a empreender na Região Norte.

Segundo a Confederação Nacional dos Transportes, mais de 55% das rodovias da região estão em estado de conservação ruim ou péssimo — o pior resultado do país. 

O nó logístico do Norte afeta diretamente Mato Grosso, maior produtor de soja do país.­ Hoje, apenas 15% da soja colhida no estado sai pelo Norte, volume que poderia chegar a 60% se a infraestrutura estivesse em bom estado. O que motivaria o aumento seriam os custos menores e a viagem mais curta até os mercados da Ásia.

Os gastos com transporte para exportar a partir do porto de Itacoatiara, no Amazonas, são metade dos cobrados para escoar a produção pelo porto de Paranaguá, no Paraná. Isso sem contar que a saída pelo Amazonas permite chegar aos portos chineses cinco dias antes.

Além de fazer sentido do ponto de vista econômico, a exploração do corredor Norte para a exportação tiraria um número maior de caminhões das já esgotadas estradas das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Na Região Norte, pródiga em rios navegáveis, as hidrovias têm potencial para absorver um grande fluxo de balsas.

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