Aguarde...
Cultura“Chamavam os clientes de estúpidos”
RelacionamentoAcabou a moleza para as empresas nas redes sociais
SiderurgiaPânico em Ipatinga, com as dificuldades da Usiminas
EconomiaA economia está com o motor emperrado
CréditoFinanciar Fusquinha dá dinheiro
InfraestruturaA malha de estradas brasileiras é um vigésimo da americana
InovaçãoComo a Starbucks virou referência mundial em tecnologia
ImóveisO rei dos imóveis nos EUA escolhe o Brasil como alvo
ReputaçãoComo construir (ou destruir) sua imagem
RankingO clube dos homens de negócio notáveis em reputação
Fábrica da Peugeot-Citroën, no Rio de Janeiro: nenhuma das grandes montadoras quer ficar de fora do mercado brasileiro
São Paulo - Talvez pela relação próxima do partido do governo, o PT, com sindicatos de metalúrgicos que trabalham em montadoras do ABC paulista. Talvez pela importância do setor na economia brasileira. Talvez por algum outro motivo menos evidente.
O fato é que a indústria automobilística é constantemente agraciada com pacotes de incentivo desde que o ex-presidente (e ex-líder sindical forjado em portas de fábricas de carros) Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o poder, em 2003. E não tem sido diferente com a presidente Dilma Rousseff.
Com bandeiras nacionalistas e de defesa do emprego, o Brasil taxa em 35% os carros estrangeiros — alíquota máxima permitida pela Organização Mundial do Comércio. E, do ano passado para cá, impôs barreiras à importação do México e aumentou o imposto sobre produtos industrializados de montadoras que usam menos de 65% de insumos nacionais na produção.
No anúncio de um pacote para “salvar” a indústria brasileira, no começo de abril, as fabricantes de veículos não ficaram de fora. O novo regime automotivo, que entrará em vigor em 2013, intensifica as medidas protecionistas e torna mais rígida a obrigatoriedade do uso de insumos e peças nacionais.
O curioso é que a ajuda ocorre num momento em que o setor automotivo esbanja investimentos. No período de 2011 a 2015, a previsão é que 22 bilhões de dólares sejam gastos por montadoras que planejam ampliar a produção ou construir novas fábricas no Brasil. A situação parece paradoxal.
A contradição, porém, é apenas aparente. Na verdade, uma situação está apoiada na outra — há muitos investimentos, em larga medida, porque há proteção. Resta saber até que ponto é um arranjo benéfico para o país.
Carros são bem-vindos no Brasil desde a década de 20, quando o presidente Washington Luís disse que governar era “abrir estradas”. De lá para cá, governantes beneficiam constantemente esse setor, que responde por quase um quarto do PIB industrial, gera bilhões de reais em impostos e mantém cerca de 1 milhão de empregos em sua cadeia de produção e serviços.
As duas grandes fases anteriores de investimentos no setor, a primeira entre as décadas de 50 e 70 e a segunda no fim dos anos 90, foram impulsionadas por incentivos públicos, como isenção fiscal, concessão de terrenos e crédito barato. Atualmente, vivemos a terceira — e maior — onda de investimentos das montadoras.
Cinco fábricas estão sendo construídas e há mais quatro projetos. Além disso, oito marcas que ainda não produzem no país, como BMW e Chrysler, estudam se instalar por aqui. Se as intenções se confirmarem, o número de empresas que montam carros (sem contar as de caminhões e ônibus) no Brasil passará de 12 para 25.
Copyright © Editora Abril - Todos os direitos reservados