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São Paulo - Até certo tempo atrás, era comum ver executivos que passavam a vida inteira na mesma empresa ou até num só departamento. O sujeito iniciava como estagiário, era contratado e começava a subir os degraus. Se tudo desse certo, chegava lá em cima — conhecendo, e essa era a chave, o negócio de cabo a rabo.
O presidente era, antes de mais nada, um grande especialista no mercado em que sua empresa estava imersa. Pois, há cerca de 20 anos, esse tipo de carreira ficou fora de moda: foi quando começou a onda generalista nas empresas. Só os executivos com passagem por diversos mercados, que conheciam um pouquinho de tudo, tinham chance de chegar ao topo das grandes companhias.
Foi a era dos superexecutivos, aquele punhado de profissionais que apareciam como eternos candidatos a qualquer vaga de presidente que surgisse. Caiu o chefão da Volks? Da Alpargatas? Da Unilever? Os nomes tidos como “pule de dez” para assumir o posto eram sempre os mesmos.
Mas eis que um grupo de companhias como GE, Xerox, Basf e Unilever passou a se perguntar: esses sabichões realmente entregam tudo que prometem? A resposta: não. Para elas, o mundo precisa de menos executivos sabe-tudo e de mais especialistas.
Como costuma acontecer, os primeiros sinais dessa nova onda surgiram nos Estados Unidos. Assim que assumiu a presidência mundial da Xerox em julho de 2009, Ursula Burns afirmou que um de seus maiores desafios seria segurar a ansiedade que os executivos têm de subir na carreira.
Desde então, os funcionários da Xerox só podem pensar em mudar de cargo depois de conhecer a fundo o setor e traçar estratégias inovadoras. “Infelizmente, isso não leva um dia, mas alguns anos”, disse Ursula na convenção anual de vendas em 2011. Mas o maior embaixador dessa nova onda de gestão é Jeff Immelt, presidente mundial da GE.
Na gestão de seu antecessor, Jack Welch, a GE virou referência na formação de generalistas que pulavam de área em área, de negócio em negócio e, em duas décadas, estavam prontos a assumir a liderança de empresas. Agora, a prioridade da GE é formar administradores especializados nas áreas em que atuam.
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